Temer conta com a base

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Vai começar tudo de novo. Alvo de uma denúncia criminal, o presidente Michel Temer vai enfrentar uma votação crucial na Câmara sobre o futuro de seu governo. Tal como ocorreu no processo de impeachment de Dilma Rousseff, em 2016, ele precisa reunir pelo menos 172 votos (ou ausências) para impedir que os deputados autorizem o avanço da ação. 

Não há mais um Eduardo Cunha na Presidência da Câmara. Articulador do impeachment de Dilma, o ex-deputado teve papel central em convencer a Câmara a abandonar a ex-presidente. Hoje, a chefia da Casa é ocupada por Rodrigo Maia (Dem-RJ), um aliado de Temer.

Ele já engavetou vários pedidos de impeachment contra Temer e chegou a criticar o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso após este pedir a renúncia do peemedebista. Porém, Maia não parece estar disposto a defender Temer abertamente. Ele evitou comentar a denúncia e não compareceu ao pronunciamento do presidente na última terça-feira.  

O presidente espera contar com sua base aliada, cuja lealdade deve ser reforçada ainda mais com a distribuição de cargos e verbas. Apesar de a denúncia criminal ser baseada em aspectos técnicos, o trâmite inicial na Câmara segue uma lógica política e não é dependente dos argumentos jurídicos apresentados pela defesa.

Para evitar mais desgaste e tentar assegurar a vitória na Câmara, Temer decidiu não participar da reunião do G-20 a ser realizada nos dias 7 e 8 de julho em Hamburgo, na Alemanha, onde deveria almoçar com a chanceler federal alemã, Angela Merkel.

O presidente também deve tentar explorar a revolta da classe política com o Ministério Público. No entanto, o arsenal para garantir sua sobrevivência já apresenta algumas avarias.

Quando assumiu, Temer alardeou possuir uma base aliada com mais de 400 deputados, uma maioria notável desde a redemocratização. No momento, interlocutores do governo garantem que o Planalto conta facilmente com pelo menos 250 votos a seu favor, dezenas a mais do que o necessário para barrar o trâmite da denúncia.

Só que desde o início da crise política e da operação Lava Jato, Brasília se acostumou aos “fatos novos” que embaralham para o governo uma situação que parece definida. Foi o que aconteceu com a ex-presidente Dilma Rousseff no início de 2016.

À época, a votação do impeachment pela Câmara parecia estar caminhando a seu favor, mas dois fatos negativos na mesma semana acabaram corroendo o que restava da base de apoio: a divulgação da delação de ex-senador Delcídio do Amaral e o imbróglio da nomeação do ex-presidente Lula como ministro. (Da DW)

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