Após um final de semana de inédita tranquilidade, 45 dias depois da delação da JBS, o Planalto voltou a viver momentos de tensão extrema nesta segunda-feira com a prisão de Geddel Vieira Lima.
A prisão do ex-ministro desfez ambiente de otimismo no Planalto. Desde que a delação da JBS veio à tona, em 17 de maio, o governo não se sentia tão seguro em meio à crise política.
O ex-ministro e amigo do presidente Michel Temer foi preso em Salvador (BA), suspeito de obstrução à Justiça. Teve prisão preventiva decretada pelo juiz Vallisney Oliveira, titular da 10ª Vara da Justiça Federal no Distrito Federal, lembra Fábrio Schaffner, da Zero Hora.
Geddel é um dos expoentes do seleto grupo do PMDB que desde os anos 1990 desfruta de absoluta confiança de Temer. Além dele, a primazia é (ou era) concedida a Henrique Eduardo Alves, Moreira Franco e Eliseu Padilha. Alves foi preso em decorrência da Operação Cui Bono, da qual Geddel também é alvo. Moreira (Secretaria-Geral da Presidência) e Padilha (Casa Civil) são ministros e despacham no Planalto.
A prisão de Geddel foi reflexo de informações prestadas ao Ministério Público Federal (MPF) por Lúcio Funaro. Preso desde julho de 2016, ele era operador financeiro do deputado cassado e ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha (PMDB-RJ) e vinha sendo assediado por Geddel para evitar que fechasse acordo de delação premiada. Em negociação para aderir à colaboração, Funaro entregou à Polícia Federal (PF) registros de chamadas telefônicas do ex-ministro para sua mulher, Raquel, por meio do aplicativo WhatsApp.
Há pelo menos 12 “prints” das ligações de “Carainho” — como Geddel era identificado na agenda de Raquel — em oito dias diferentes. Todas as ligações ocorreram após a divulgação do conteúdo da delação da JBS — o primeiro telefonema ocorreu às 22h59min de 17 de maio, poucas horas após a eclosão do escândalo.
Funaro também disse ter repassado a Geddel R$ 20 milhões em dinheiro vivo, a título de propina pela liberação de empréstimos da Caixa Econômica Federal a frigoríficos.

