Quem segura Temer no cargo

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A situação do presidente Michel Temer parece desesperadora, mas ele não se rende. Com uma linguagem quase bélica anunciou que lutará pelo cargo até o fim, mesmo com o risco de aprofundar a interminável crise política que sacode o país há quatro anos.

A crise explodiu em junho de 2013 com os primeiros protestos populares contra Dilma RousseffFoi agravada pela eclosão da operação Lava Jato, que aos poucos foi revelando uma monumental teia de corrupção envolvendo os principais partidos.

Mais tarde, se abateu sobre o país a pior recessão de sua história. E, finalmente, chegou o impeachment de Dilma. Em seguida, foi a vez de Temer, vice-presidente com o PT, e o PMDB, recorda a reportagem de Xosé Hermida, do El País.

Os movimentos sociais supostamente apartidários que em 2016 inundaram as ruas contra a insuportável corrupção do PT, depois de 13 anos no poder, se conformam agora com postar memes no Facebook.

No Supremo Tribunal Federal há juízes que já demonstraram vontade de tirar Temer do apuro. E tampouco fraqueja a fidelidade da direita pura, convencida de que “é pior um honesto incompetente do que um corrupto competente”, nas palavras do seu guru, o jornalista Reinaldo Azevedo.

Até respeitáveis vozes internacionais como a revista The Economist pediram que continuasse com o argumento de que não é para tanto. “A política no Brasil é como um House of Cards  sob os efeitos de ácido”, disse ao Financial Times o diretor do banco de investimentos BTG Pactual, Steve Jacobs, defensor de Temer.

“O mercado ainda o apoia”, diz Thiago de Aragão, diretor de Inteligência da consultoria de análise política Arko Advice. “A situação é instável, mas o seria ainda mais se acontecesse algo tão drástico como a queda de um presidente.”

As convulsões políticas estão tendo um efeito econômico, como demonstra o anúncio do ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, sobre a redução da previsão de crescimento para este ano, que era de um modesto 0,5%. “A crise política e, sobretudo, o atraso na reforma da previdência, afetaram a economia”, diz o analista da Arko Advice.

Fernando Limongi, professor de Ciências Sociais da Universidade de São Paulo, também apostava na continuidade de Temer até que os últimos acontecimentos o fizeram mudar de opinião: “É difícil fazer previsões porque tudo acontece muito rápido, mas agora começo a acreditar que cairá. Com a estratégia de Janot de dividir a acusação em três denúncias acredito que vai ser muito difícil que ele resista.”

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