Vale tudo para garantir Temer

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O presidente Michel Temer sofreu sua primeira derrota na guerra pela preservação do seu governo. Ela veio pelas mãos de um membro do próprio partido do presidente, o PMDB.

O deputado Sérgio Zveiter (RJ) não usou apenas argumentos técnicos para embasar suas conclusões. Seu parecer chegou a rebater diretamente argumentos usados pela defesa preliminar do presidente. No final, Zveiter disse que a denúncia tem “sólidos indícios de práticas delituosas”.

Segundo um boletim divulgado na segunda-feira pela consultoria de risco político Eurasia, Temer tem 40% de chance de perder o cargo. Na avaliação do grupo, o resultado da apreciação da denúncia contra Temer por corrupção deve influenciar diretamente nos cálculos dos deputados na eventualidade de que o processo todo tenha que ser repetido após a apresentação de nova ação pela PGR – possivelmente por obstrução à Justiça e/ou organização criminosa.

O tom usado pelo relator na CCJ, que não era considerado um inimigo declarado do Planalto mesmo sendo uma figura “independente”, sinaliza mais uma vez que até o partido do presidente não está unido na luta pela salvação do governo. As conclusões foram apresentadas ao mesmo tempo em que o influente senador Renan Calheiros (PMDB-AL) passou a defender abertamente a saída de Temer.

Temer e caciques aliados de partidos como o SD, PR e PSD – do chamado “Centrão” da Câmara – promoveram nos últimos dias nada menos que 20 substituições entre membros da CCJ críticos ou que não eram considerados suficientemente leais ao Planalto. Uma nova derrota na CCJ só aumentaria o desgaste do governo. 

Temer tem redobrado a promessa de empenhar recursos para emendas parlamentares para assegurar a boa vontade dos deputados no plenário. Pouco depois da divulgação da delação da JBS, Temer já havia empenhado pelo menos R$ 1 bilhão. Nos últimos dias, esse valor subiu para R$ 1,8 bilhão. Além disso, o governo apressou a liberação dos valores – foram R$ 535 milhões só em junho, quase um terço do valor disponibilizado o ano inteiro, que chega a R$ 1,6 bilhão.

O Planalto luta para que o plenário vote o mais rapidamente possível a denúncia de Rodrigo Janot. O ideal para os governista é que a votação já ocorresse na semana que vem, antes do recesso parlamentar. Políticos da oposição, no entanto, tentam protelar a data para depois da pausa, estendendo a sangria do governo até agosto, quando espera-se que o Planalto sofra mais desgaste com “fatos novos” como uma já provável delação do ex-deputado Eduardo Cunha – um antigo aliado de Temer – e a apresentação de novas denúncias. (Da DW)

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