Com o ex-governador Sérgio Cabral (PMDB) atrás das grades, índices de violência cada vez mais altos, atraso no salário de servidores, paralisação da maior universidade do estado (Uerj) e queda significativa do turismo, o Rio de Janeiro agoniza.
O cenário contrasta radicalmente com o de um ano atrás, quando a cidade foi palco do maior evento do esporte mundial, os Jogos Olímpicos, e recebeu milhares de atletas e visitantes de forma pacífica e festiva, lembra a DW.
Como muitos especialistas já tinham previsto, com o queimar dos últimos fogos de artifício na festa de encerramento do evento olímpico, cidade e estado saíram dos holofotes nacionais e internacionais e mergulharam num período sombrio. A população precisou encarar a realidade de um estado falido, da qual fora momentaneamente distraída pela festa.
Pouco antes do início dos Jogos, o estado do Rio de Janeiro já havia decretado calamidade financeira. O governo federal concedeu imediatamente um auxílio de R$ 2,9 bilhões para não estragar a festa. Além disso, militares e policiais foram deslocados de todo o país para garantir a segurança nas áreas turísticas e nos espaços olímpicos. Os jogos transcorreram sem maiores incidentes. Turistas, atletas e muitos moradores ficaram maravilhados.
Na ocasião, em entrevista à DW, o sociólogo Ignacio Cano, do Laboratório de Violência da Uerj, já tinha chamado a atenção para a situação: “Durante os Jogos, enquanto os turistas estiverem nas áreas turísticas, não haverá problemas: teremos um policiamento ostensivo, com muito apoio federal. Acho que o problema será, para nós, depois dos Jogos, com bem menos atenção da mídia internacional e menos recursos.”
Para a cientista social Sílvia Ramos, da Universidade Cândido Mendes, é fácil definir uma data: “Com o final dos Jogos Olímpicos, as coisas passaram a fugir do controle”.


