Após três meses de negociações, o empresário Lúcio Funaro assinou o acordo de delação premiada com a Procuradoria-Geral da República, segundo uma fonte com conhecimento da situação contou à Reuters. A PGR pretende usar as acusações que serão apresentadas por ele em ao menos uma nova denúncia contra o presidente Michel Temer.
Pelo menos até sexta-feira, Funaro está autorizado a permanecer na superintendência da PF em Brasília. Segundo uma fonte, a expectativa é que, de lá, ele siga nos próximos dias para a sede da PGR a fim de prestar os depoimentos da delação.
Com a delação, Funaro espera suspender e até anular o andamento de investigações e ao menos um processo que o envolve e ter condições de retomar suas atividades empresariais.
Funaro esteve na sede da PGR para assinar o acordo e, nos próximos dias, deverá detalhar em depoimentos aos procuradores os casos em que atuou como operador do chamado grupo do PMDB da Câmara, o qual Temer sempre teve ascendência.
Preso desde julho do ano passado na operação Lava Jato, o empresário é apontado como um dos operadores do ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha (PMDB-RJ), outro expoente do grupo que já foi preso e condenado pela mesma ação policial.
Cunha tentou fechar um acordo de delação com a equipe do atual procurador-geral da República, Rodrigo Janot, mas as negociações não avançaram porque, segundo uma fonte, ele não apresentou provas do que afirmara. Diante disso, a PGR preferiu priorizar as negociações com Funaro e praticamente descartou Cunha como potencial delator.
Segundo uma fonte familiarizada com o assunto, a equipe de Janot vai trabalhar para garantir que os depoimentos de Funaro sejam prestados e, posteriormente, homologados pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a tempo de serem usados em uma nova acusação criminal contra Temer antes de o atual procurador-geral da República deixar o cargo, em 17 de setembro.























