COP23 começa com cinismo

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A Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas de Bonn (COP23), realizada na cidade alemã durante as próximas duas semanas, a partir desta segunda-feira (06), não tem o charme da COP21 de Paris, de dois anos atrás. É uma “conferência de trabalho”, encarregada de montar um “livro de regras” para o acordo fechado em Paris em 2015.

Talvez, por isso, a mídia global esteja abordando o encontro com certo cinismo. Um relatório publicado nos últimos dias afirma que os compromissos existentes no âmbito do Acordo de Paris não deixarão os países mais perto da meta de impedir que a temperatura do planeta suba mais que 2 graus Celsius até 2050 – fato que, segundo cientistas, provocaria mudanças climáticas catastróficas, de acordo co reportagem da DW.

Especialmente diante do anúncio do presidente dos EUA, Donald Trump, de que os Estados Unidos sairão do Acordo de Paris, muitos acreditam que os representantes em Bonn estarão desperdiçando seu tempo. Afinal, para que tudo isso, se parece que não vai funcionar, mesmo?

Mas as pessoas envolvidas no processo podem confirmar que ele está dando frutos. De fato, nas mais de duas décadas desde que o empenho da ONU em prol do clima começou, na Cúpula do Rio de 1992, o mundo fez progressos significativos na redução de suas emissões de gases do efeito estufa.

Um relatório publicado na quinta-feira passada (02) pelo World Resources Institute (WRI) ilustra isso. Ele revela que, em 1990, oito anos após a cúpula do Rio, 19 países atingiram seu pico nas emissões de gases do efeito estufa – o que significa que atingiram o ápice e, desde então, estão diminuindo a marca.

Em 2010, esse número aumentou para 48 países – incluindo os Estados Unidos –, o que representa cerca de 36% das emissões mundiais. Se todos os países cumprirem suas metas de redução de emissões no âmbito do Acordo de Paris, esse número aumentará para 52 até 2030. Isso inclui todos os países industrializados mais a China e o Brasil e representa 60% das emissões da Terra.

“O momento em que as emissões de países individuais chegam ao pico e caem, especialmente as de grandes emissores, como EUA e China, é extremamente importante para determinar se é possível evitar os impactos climáticos mais perigosos”, diz Kelly Levin, da WRI.

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