A Conferência do Clima (COP23), em Bonn, na Alemanha, chegou ao fim na manhã deste sábado (18/11). Em duas semanas de negociações entre 197 países integrantes da Convenção-Quadro das Nações Unidas para Mudanças Climáticas (UNFCCC), o “livro de regras” que vai tirar o Acordo de Paris do papel ganhou algumas páginas.
A Alemanha foi a anfitriã técnica dessa COP, que deveria ter acontecido nas Ilhas Fiji. O Brasil se colocou à disposição para sediar a COP de 2019. Segundo o rodízio estabelecido pela UNFCCC, será a vez de um país da América Latina ou Caribe presidir as negociações climáticas. A decisão, esperada para o fim da reunião, foi adiada.
Não houve acordo em torno de descrições técnicas do chamado Fundo de Adaptação. Ele foi criado em 2001 para financiar projetos de adaptação em países em desenvolvimento vulneráveis às mudanças climáticas, e está ligado ao Protocolo de Kyoto, primeiro acordo entre nações ricas para cortar emissões de gases de efeito estufa em vigor até dezembro de 2020.
“Saímos daqui com uma base para trabalhar. Mas há muito o que ser feito para finalizar o livro de regras para implementar o Acordo de Paris dentro do previsto”, avaliou o embaixador José Antonio Marcondes de Carvalho, negociador-chefe do Brasil, ao fim da COP23.
Na plenária final, Carvalho fez um pronunciamento em nome dos países do Basic (Brasil, África do Sul, Índia e China), e ressaltou alguns pontos de descontentamento. “O debate sobre financiamento ficou abaixo das expectativas“, afirmou.
A nota também tocou num ponto sensível das negociações: a responsabilidade dos países desenvolvidos no combate das mudanças climáticas, os primeiros a aumentar consideravelmente a carga de gases de efeito estufa na atmosfera, registra a DW.
Para o embaixador brasileiro, a proposta de Fiji pode retomar um clima que surgiu em 2015, quando o Acordo de Paris foi assinado. “A expectativa é que o Diálogo Talanoa recupere o espírito de cooperação entre os países que nasceu em Paris”, disse ele à DW Brasil, ao fim da COP23.
Em Bonn, o ministro brasileiro do Meio Ambiente, Sarney Filho, anunciou programas de incentivo ao uso de biocombustíveis e o plano de recuperação de florestas, além de prometer leilões de fontes renováveis. Mas, em Brasília, o governo Temer tenta a aprovação dos deputados para adotar a Medida Provisória 795, que incentiva a indústria do petróleo com subsídios que podem chegar a R$ 1 trilhão.
A contradição rendeu ao Brasil o indesejado prêmio Fóssil do Dia, concedidos por ONGs desde 1999 a quem dá maus exemplos na área climática.

