Qualquer semelhança entre o sentimento de tristeza dos assessores próximos ao presidente Michel Temer e os investidores do Ibovespa no final do dia desta quinta-feira não terá sido mera coincidência. Seja de um lado ou de outro, os personagens vivem uma gangorra entre o otimismo e o pessimismo na contagem de votos necessários para a votação da reforma da Previdência.
O otimismo na segunda exalado após o jantar de domingo à noite, andou rápido para a desconfiança. Entre todas as tabelas que acompanham os humores dos parlamentares, nenhuma delas chegou aos 308 votos necessários à aprovação da PEC. Muito pelo contrário. As contas variavam sempre para baixo.
O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (Dem-RJ), jogou água fria nos agentes do mercado logo cedo. Pelo que escapou da reunião, Maia teria dito que o governo não teria 200 votos para aprovar a PEC.
No plenário da Câmara, na quarta-feira, um analista do governo observou que faltavam 30 votos para fechar o número mínimo necessário. Na bancada do PSDB, por exemplo, entre os 28 indecisos, era possível contar apenas com 12 parlamentares com alguma segurança.
As lideranças aliadas deixaram o café da manhã na quarta com o presidente Michel Temer, no Palácio da Alvorada, animados com a perspectiva de votação. Alguns chegaram a cravar que ela poderia ocorrer na próxima terça-feira.
Nesta quinta-feira, no entanto, o ânimo já era outro. Liderança super engajada pela aprovação da reforma já admitia uma diminuição das chances de votação da reforma da Previdência na próxima semana. Segundo o parlamentar, a negociação enfrenta obstáculos em partidos aliados –o PRB, o PR e o PSD.
“A data enfraqueceu”, afirmou a liderança, sob condição de anonimato, citando dificuldades em reverter votos contrários à reforma nas três siglas.
Se a primeira liderança usou a expressão “enfraqueceu” para descrever as chances de votação na próxima semana, outro parlamentar da base aliada ouvido pela Reuters apresentou uma avaliação mais pessimista. Para ele, a proposta não deve ser votada neste ano.
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