“O sistema político brasileiro é um cadáver apodrecendo a céu aberto”, diz Daniel Aarão Reis, professor de História Contemporânea da Universidade Federal Fluminense (UFF) e autor de livros como “Luís Carlos Prestes – Um revolucionário entre dois mundos” (Companhia das Letras, vencedor do prêmio Jabuti em 2015) e “Ditadura e Democracia no Brasil” (Zahar).
Em entrevista ao El País por e-mail, Reis disse que “Lula, salvo imprevistos, permanecerá vivo e influente na vida política brasileira”. Sua condenação, ele diz, “é um marco na história política brasileira” e “está inserida num contexto, inédito, de prisão de lideranças políticas e empresariais”.
“O sistema político brasileiro é um cadáver, apodrecendo a céu aberto. Nos governos tucanos e petistas, perdeu-se uma chance histórica de reformá-lo. Tanto o PSDB como o PT preferiram, para governar, aliar-se a forças fisiológicas e conservadoras, perdendo a perspectiva reformista que tinham, quando de suas fundações. A ira popular manifestada em 2013 foi simplesmente ignorada, logo que refluiu. Como também não foi capaz de formular programas precisos nem estruturar organizações autônomas, esta ira acabou se esvaindo sem produzir resultados concretos. Nestas condições um sistema em que ninguém confia mais continua se arrastando, vísceras expostas, aumentando o ceticismo e o pessimismo quando à nossa democracia “realmente existente”.
























