Nada impedirá a reeleição de Vladimir Putin para mais seis anos no poder. Para os milhões de eleitores que vão votar este domingo, numa altura em que a Rússia está de costas voltadas para a Europa e para os EUA, acusada de interferir nas democracias ocidentais e de ter assassinado um ex-espião em solo estrangeiro, Putin já não é um candidato como os outros oito pretendentes.
Ascendeu a um patamar histórico, depois de devolver o orgulho aos russos e de lhes garantir estabilidade, mesmo à custa da reputação internacional. Após 18 anos no Kremlin, será reconduzido para um quarto mandato de seis anos, durante o qual irá tornar-se no líder russo com mais longevidade no poder desde Estaline. Putin, que tem 70% da preferênia do eleitorado, segundo as pesquisas, já votou nesta manhã. Hoje às 15 horas, horário de Brasília, começam as ser divulgados os resultados da boca de urna.
Em quase duas décadas, Putin construiu um sistema altamente centralizado baseado na lealdade e nas relações pessoais que o acompanhavam desde os tempos como coronel do KGB. Quando foi catapultado para o Kremlin por um Boris Ieltsine já em estado de coma político, Putin era uma “marca branca” que personalidades mais poderosas da elite econômica e governamental pensavam poder manipular a seu bel-prazer. Apareceu como um homem sem história ou sem presença mediática, um desconhecido em que cada um podia ver o que quisesse.
As eleições russas deste domingo representam o momento para Putin legitimar toda esta conduta, especialmente a anexação da Crimeia – não é à toa que a data escolhida para as eleições coincide com o quarto aniversário da passagem do território para a Rússia.























