O crescente clima de desconfiança e descrédito na política tende a elevar a parcela de eleitores disposta a votar em branco, nulo, ou simplesmente se abster, o que aumenta as incertezas sobre o cenário eleitoral e levanta dúvidas sobre a legitimidade e a estabilidade do próximo presidente, avaliam especialistas.
O cofundador do Instituto Update Caio Tendolini pondera que o cenário ainda é muito nebuloso para previsões mais certeiras, mas avalia que a tendência de elevação de brancos, nulos e abstenções não deve ser revertida diante da desconfiança da população e da “agudização” da crise de representatividade, de acordo com a Reuters.
Para Daniel Falcão, especialista em direito eleitoral do escritório Boaventura Turbay Advogados e professor da Universidade de São Paulo (USP) e do Instituto Brasiliense de Direito Público (IDP), as características do contexto atual remetem à conjuntura das eleições presidenciais de 1989, quando Collor foi eleito.
“É possível que um candidato com uma baixa votação consiga chegar ao segundo turno”, disse o especialista, diante do quadro de pulverização de candidaturas, da rejeição aos candidatos, e aos índices de brancos e nulos.
“Do ponto e vista de conjuntura, é o pior clima de todas as eleições desde a restauração da democracia”, avaliou a socióloga e especialista em pesquisas de opinião Fátima Pacheco Jordão, acrescentando que a pulverização de candidatos e a divisão entre os partidos tornam o momento “pouco animador” e há o risco de a atual instabilidade se agravar.























