Texto de Pedro Peduzzi
O domingo de Páscoa da publicitária Anna Carolina Venturini, 33 anos, não teve muito a ser comemorado este ano, após a chuva e a ventania de 33,5 km/h da tarde de ontem (21) ter derrubado uma árvore de mais de 25 metros, sobre o teto da casa que há cinco gerações é o lar de sua família, em Brasília. De acordo com o Corpo de Bombeiros do Distrito Federal, foram registradas 19 ocorrências emergenciais desse tipo na Asa Norte, o bairro mais atingido pela tempestade.
Se por um lado há tristeza pela situação da casa – que já foi de sua bisavó, onde, além de Anna Carolina, moram a mãe, uma tia e seu filho – por outro, há alívio pelo fato de a tia não estar no local, quando a árvore caiu. “Se ela estivesse aqui, certamente teria se machucado muito, porque a árvore caiu por sobre o seu quarto”, disse à Agência Brasil a publicitária.
A chuva não prejudicou apenas casas. “Moro no terceiro andar de um prédio. Ele ficou todo molhado. Até o piano de meu filho foi prejudicado, mesmo com meu esposo se esforçando para segurar a janela, que era empurrada pelo vento. Nunca vi nada igual por aqui”, disse a dona de casa Odete da Cruz, 42.
Uma outra vizinha, que não quis se identificar, disse que há muito tempo os moradores vêm alertando o governo do Distrito Federal sobre a necessidade de poda de diversas árvores da região. “Quando eles vêm, fazem apenas podas superficiais”, reclamou a moradora.
De acordo com o capitão Souza Mendes, do Corpo de Bombeiros, a absoluta maioria das árvores que tombaram com os ventos de cerca de 33,5 km/h são de espécies não nativas. “Dá para ver que são árvores de grande porte mas com raízes rasas”, disse o bombeiro.
Servidores terceiriados do GDF limpam a lama após a tempestade. Foto de Marcelo Camarago/Agência Brasil
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A Administração da Universidade de Brasília informou que especialistas da área de engenharia e técnicos da prefeitura do campus já percorreram os dois locais mais atingidos pelas chuvas de ontem (21): o prédio do Instituto Central de Ciências (ICC, mais conhecido como Minhocão) e a Faculdade de Tecnologia.
A avaliação inicial não identificou, até o momento, danos às estruturas. Apesar de os bueiros do campus estarem limpos e em bom funcionamento, segundo a própria UnB. “A força da enxurrada, vinda da Asa Norte, ocasionou a sobrecarga do sistema de drenagem”, informou, por meio de nota, a administração da universidade. Um levantamento mais completo, dos danos materiais ocorridos em decorrência da chuva, está sendo finalizado.
(Pedro Peduzzi trabalha na EBC)
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