A Justiça Federal decretou a prisão de dois gerentes do Banco Bradesco por suspeita de participação em esquema de lavagem de dinheiro comandado por doleiros que movimentou 989,6 milhões de reais, disse nesta terça-feira o Ministério Público Federal (MPF), que apontou falha no sistema de compliance da instituição financeira. No início de maio foram presos executivos do Banco Paulsta. Atualizado às 11h15
Além dos dois, que eram gerentes-gerais de agências do Bradesco na época dos fatos investigados, a Justiça Federal também decretou a prisão de empresário responsável por abrir contas fantasmas usadas pelo esquema, disse o MPF. Os mandados foram contra Júlio César Pinto de Andrade, Robson Luiz Cunha Silva e Tânia Maria Aragão de Souza Fonseca.
De acordo com o MPF, os dois funcionários do Bradesco suspeitos de envolvimento eram “peças importantes em sofisticado esquema de lavagem de dinheiro” que funcionava por meio da compensação de cheques do varejo e pagamento de boletos bancários.
“Os elementos ora reunidos não deixam dúvidas de que as instituições financeiras onde as contas foram abertas, em especial o Banco Bradesco, descumpriram os deveres de compliance, possuindo como consequência direta, além do fomento à lavagem de dinheiro acima demonstrado, a violação à livre concorrência, pois as instituições que dispendem recursos no compliance acabam restringindo seus negócios, sem contar no custo que é dedicado aos setores de conformidade”, disse o MPF na ação apresentada à Justiça.
O Bradesco informou por meio de nota que “as informações, quando oficialmente disponíveis, serão apuradas internamente” e que “cumpre rigorosamente com as normas de conduta ética e governança vigentes para a atividade”.
As ações são um desdobramento da Operação Câmbio Desligo, que apura operações milionárias de lavagem de dinheiro que teriam movimentado US$$ 1,6 bilhão em 52 países, registradas em mais de 3 mil offshores.

























