Fica o Inpe, sai o presidente

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O presidente do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), Ricardo Galvão, será exonerado do cargo após a polêmica em torno de dados de desmatamento da Amazônia, informou o Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações. O próprio Galvão comentou a decisão a jornalistas, afirmando que a situação ficou insustentável por conta de sua declarações quando o presidente Jair Bolsonaro disse que os dados do Inpe sobre desmatamento da Amazônia eram mentirosos.

“Eu tinha uma preocupação muito grande que isso ia respingar no Inpe. Isso não vai acontecer. O ministro (Marcos Pontes), inclusive, nós discutimos em detalhe como vai ser a continuação da administração do Inpe, agora é claro, diante do fato, a maneira como eu me manifestei com relação ao presidente, criou-se um constrangimento que é insustentável. Então eu serei exonerado”, disse Galvão nesta sexta-feira.

“Ele (Pontes) concorda inteiramente com os dados do Inpe, ele sabe como são os dados do Inpe. Foi só uma questão simples de comunicação que houve e que nós esperamos corrigir. Nós temos que aprender com os erros e temos que corrigir no futuro”, acrescentou Galvão.

A exoneração de Galvão foi criticada por parlamentares contrários ao governo Bolsonaro e o líder da oposição na Câmara dos Deputados, Alessandro Molon (PSB-RJ), disse que a medida faz parte de uma “escalada autoritária” do presidente, que nas últimas semanas tem feito uma série de declarações controversas.

Em junho, o Sistema de Detecção do Desmatamento na Amazônia Legal em Tempo Real (Deter) apontou 2 mil quilômetros quadrados de novas áreas abertas na floresta. Em relação ao mesmo período do ano passado, o aumento do corte raso foi de 88%. “O salto de 88% não é verdade”, afirmou Salles ao apresentar as imagens de satélite analisadas.

As imagens usadas pelo Deter são captadas pelos satélites sino-brasileiro CBERS-4 e indiano IRS, e chegam ao fim de cada dia à rede do Inpe. Na manhã seguinte, as imagens são processadas por uma equipe em Cachoeira Paulista, interior do estado de São Paulo, e distribuídas para o time de “intérpretes” – profissionais treinados para identificar, a partir das diferentes características observadas na imagem, desmatamentos em andamento.

Na sequência, esse trabalho passa por uma auditoria para, então, ser divulgado na rede aberta do Inpe. De todos os polígonos interpretados, 20% são escolhidos aleatoriamente para validar o grau de acerto de cada lote. Ao todo, essa etapa leva três dias.

Para Carlos Rittl, do Observatório do Clima, ao rebaixar o trabalho da entidade o governo tenta tirar a atenção do problema. “Não tem como esconder que o desmatamento explodiu, então querem quebrar a reputação e qualidade do trabalho do Inpe”, avaliou.

“O que precisa ser discutido é a falta de fiscalização, de combate ao crime ambiental, o aumento da violência contra os povos indígenas, as medidas que serão tomadas para diminuir o desmatamento”, afirmou.

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