A avaliação popular do Congresso Nacional segue em baixa. Pesquisa do DataFolha realizada no início de dezembro mostra o descrédito da população com deputados e senadores. O quadro segue uma tendência histórica e é desalentador para a classe política.
De acordo com o levantamento, 45% dos eleitores brasileiros avaliam como “ruim” ou “péssimo” o trabalho do atual Congresso. Em agosto, 35% tinham essa avaliação. Por outro lado, apenas 14% consideram “bom” ou “ótimo” – em agosto esse contingente era de 16%.
É interessante notar que os atuais congressistas foram eleitos em meio a uma onda de renovação das duas Casas, na esteira da vitória de Jair Bolsonaro na disputa presidencial. Muitos parlamentares estão em primeiro mandato, e boa parte deles não fazia parte do establishment político até pouco tempo atrás.
Portanto, uma avaliação inicial é clara – se havia uma lua de mel entre a sociedade e o novo Congresso, ela se esgotou rapidamente.
Muito do descrédito com a classe política se dá em função da própria agenda parlamentar. Para ficar em apenas um exemplo, a recente polêmica em torno dos recursos públicos para o fundo partidário aumentou o desgaste de deputados e senadores. Em meio a uma crise econômica que se arrasta há tempos, com baixo crescimento do PIB e desemprego elevado, a percepção da população é a de que o Parlamento trabalha exclusivamente para si, não se preocupando com os reais problemas da nação.
Os resultados da pesquisa do DataFolha ajudam também a explicar, em parte, o sucesso de políticos e movimentos recém surgidos na cena nacional. Deputados como Kim Kataguiri (DEM-SP) e Tábata Amaral (PDT-SP) e grupos como o RenovaBR conquistaram espaço e são bem vistos por boa parte da opinião pública. Pior para o partidos tradicionais, que dia após dia são questionados pela sociedade.
Como reverter esse quadro? Melhorar a comunicação com os brasileiros é importante, mas por si só não resolve a questão. Transparência e uma agenda que atenda aos anseios da população são fundamentais. Do contrário, o desgaste do Congresso somente aumentará.















