Para lutar contra uma inflação galopante e uma economia em recessão desde abril de 2018, os argentinos tem recorrido à criatividade para poupar e amenizar os efeitos da crise. Historicamente, a melhor opção para se proteger dos efeitos inflacionários da economia argentina é a compra de dólares, restrita pelo agora ex-presidente Mauricio Macri, em uma reedição do “cepo” que vigorou durante a crise do início da década.
Sem a principal alternativa, o jeito encontrado foi inovar. Sem poder comprar a moeda americana, parte da população, principalmente os mais pobres, tem recorrido à prática conhecida como “stockeo”, conta o repórter da Efe, Jose Manuel Rodriguez.
A lógica deste mecanismo é bastante simples. Os argentinos estocam produtos não perecíveis em casa para “ganhar” quando os preços dispararem. Nos 11 primeiros meses do ano, a inflação do país chegou a 48,3%, segundo dados do Instituto Nacional de Estatísticas e Censos (Indec).
Para o economista Mariano Gorodisch, este é um bom momento para o “stockeo”. Devido à queda do consumo, os supermercados têm realizado muitas promoções, especialmente de produtos mais caros no país, como sabão em pó e latas de atum. A prática vale ainda mais a pena se a população considerar que a inflação fechará o ano em mais de 50%.
Outra das opções que vem crescendo entre os argentinos é a compra de criptomoedas. No entanto, o professor Ignacio Carballo, da Universidade de Buenos Aires, faz uma alerta sobre a volatilidade das moedas digitais. Segundo pesquisa feita pelo Banco Central da Argentina (BCRA), apenas 24% da população poupa dinheiro. Mais da metade deles – 58% – guarda dinheiro em casa. Outros 37% têm contas específicas para isso.


