Não tomem críticas como declarações de guerra. Críticas podem ser mãos estendidas. Críticas podem ser um bom liquid paper no seu discurso. Quem gosta de melhorar, em geral, aprende com a crítica. Presta atenção, ouve, pensa, raciocina. Quem já se acha completo, ignora. E maldiz o emissor.
Uma boa crítica pode salvar uma boa ideia — mal expressa, contudo. Pode evitar um desastre. Pessoas egocêntricas evitam se expor, por isso não dizem nada, apenas elogiam quando lhes é conveniente: a crítica honesta que poderia ser feita transforma-se em fofoca maldosa de bastidores. Jesus nunca se poupou de uma boa crítica. E ainda dizia: “Quem tem ouvidos para ouvir…” Ou seja: se aquele que é criticado souber aproveitar, poderá ganhar com isso. É importante ser sábio, ouvir…
A questão é que somos todos cheios de grandes egos e não nos permitimos admitir que aqui e ali pecamos por excesso ou falta. E, se pecamos, esperamos sinceramente que ninguém seja inconveniente para vir nos dizer exatamente qual foi nosso erro. Ora, mas era só o que faltava. Quem maria ninguém pensa que é, para isso? E maria ninguém, entretanto, está dando — graciosamente — uma boa dica de como melhorar a qualidade de sua comunicação, de sua imagem, de sua escrita, enfim, de sua apresentação, seja lá sob que aspecto for.
Às vezes, a crítica é para mim. Acreditem, sei diferenciar a crítica e a acusação, porque já recebi ambas, em fortes doses. A crítica é solidária, mesmo que contundente. A acusação é sorrateira, desonesta e quase sempre mentirosa. A crítica é certeira, diz respeito a algum aspecto profissional de minha vida, tem nome, endereço e telefone. Pode também versar sobre meu comportamento nas redes sociais ou questões pessoais, se o crítico for amigo íntimo.
Já a acusação envolve o submundo da fofoca e não mostra a cara. Vai de boca em boca, transmuta-se em boa e piedosa aparência, mas, afinal, desvenda-se cínica, cretina, desonesta, maldosa, mentirosa e canalha. Aliás, somente canalhas fazem parte dela: a acusação é o prato cheio da roda dos escarnecedores. Críticos honestos não tomam parte desse processo intestino do qual exala mau cheiro. Críticos querem melhorar e construir. Acusadores se preocupam, sob uma boa capa, em destruir. Há boas e fundamentais diferenças. Quem tem ouvidos para ouvir…




















