Bolsonaro fala em intervenção militar e recebe troco de entidades

Jair Bolsonaro em discurso
Bolsonaro parrticipou de um ato em favor da intervenção militar em apoio a aliados da ditadura/Arquivo/Reprodução
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O presidente Jair Bolsonaro foi alvo de duras críticas após discursar durante um ato em Brasília pró-intervenção militar. Políticos e organizações se posicionaram veementemente contra qualquer hipótese de uma intervenção militar e criticaram a presença do presidente na manifestação. A cúpula militar, por sua vez, estaria tentando minimizar a presença do presidente na manifestação e descartando um risco à democracia.

O ato, realizado neste domingo (19) em frente ao Quartel-General do Exército em Brasília, reuniu dezenas de defensores do governo que se aglomeraram para ouvir o presidente, contrariando as orientações de distanciamento social da Organização Mundial da Saúde (OMS) por conta da Covid-19.

Antes da fala de Bolsonaro, manifestantes entoaram gritos como “AI-5”, “Fecha o Congresso” e “Fecha o STF”. Muitos dos manifestantes carregavam faixas com a frase “intervenção militar já com Bolsonaro”, contrariando a Constituição brasileira.

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O presidente da OAB nacional, Felipe Santa Cruz, afirmou que “o presidente da república atravessou o Rubicão. A sorte da democracia brasileira está lançada, hora dos democratas se unirem, superando dificuldades e divergências, em nome do bem maior chamado Libetdade”.

Um dos mais visados pelos manifestantes, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), afirmou ser uma “crueldade imperdoável” pregar uma ruptura democrática em meio às mortes em decorrência da pandemia da covid-19, a doença respiratória causada eplo novo coronavírus. “O mundo inteiro está unido contra o coronavírus. No Brasil, temos de lutar contra o corona e o vírus do autoritarismo. É mais trabalhoso, mas venceremos. Em nome da Câmara dos Deputados, repudio todo e qualquer ato que defenda a ditadura, atentando contra a Constituição”, escreveu Maia em sua conta no Twitter.

“São, ao todo, 2.462 mortes registradas no Brasil. Pregar uma ruptura democrática diante dessas mortes é uma crueldade imperdoável com as famílias das vítimas e um desprezo com doentes e desempregados”, prosseguiu Maia. “Não temos tempo a perder com retóricas golpistas.”

Além da indisposição com o presidente da Câmara dos Deputados, Bolsonaro tem se envolvido em atritos com governadores e o Supremo Tribunal Federal (STF). “Tempos estranhos! Não há espaços para retrocesso. Os ares são democráticos e assim continuarão. Visão totalitária merece a excomunhão maior. Saudosistas inoportunos. As instituições estão funcionando”, disse Marco Aurélio Mello, ministro do STF.

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“É assustador ver manifestações pela volta do regime militar, após 30 anos de democracia. Defender a Constituição e as instituições democráticas faz parte do meu papel e do meu dever”, disse Luís Roberto Barroso, ministro do STF.”Só pode desejar intervenção militar quem perdeu a fé no futuro e sonha com um passado que nunca houve.”

Lamentável que o presidente da República apoie um ato antidemocrático, que afronta a democracia e exalta o AI-5. Repudio também os ataques ao Congresso Nacional e ao Supremo Tribunal Federal. O Brasil precisa vencer a pandemia e deve preservar sua democracia”, disse o governador de São Paulo, João Dória (PSDB).

“Em vez de o presidente incitar a população contra os governadores e comandar uma grande rede de fake news para tentar assassinar nossas reputações, deveria cuidar da saúde dos brasileiros. Seguimos na missão de enfrentamento do Covid-19”, escreveu o governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel (PSC).

Em meio a tantas críticas, a própria cúpula militar buscou minimizar a presença de Bolsonaro na manifestação – o argumento é que Bolsonaro quis agradar sua base de apoiadores ligada à ala ideológica. Os ministros da ala militar garantem que não existe qualquer ameaça concreta à democracia. Um general integrante do governo teria afirmado à jornalista Andreia Sadi que Bolsonaro “dá vazão” a apoiadores antidemocráticos “na retórica”. Segundo o militar, o presidente não teria “poder sozinho” para ruptura democrática, algo que está fora de cogitação para as Forças Armadas.  (Da DW)

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