Cautela do Brasil com a política monetária

Banco Central sede Misto Brasília
Banco Central faz o primeiro combate contra a inflação/Arquivo
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O Brasil parece disposto a começar a adotar cautelosamente uma política monetária não convencional, usando pequenas intervenções para combater a disfunção nos mercados de títulos, como acontece com o mercado de câmbio, mas a gravidade da crise pode forçá-lo a copiar medidas dramáticas tomadas nos Estados Unidos e na Europa, segundo publicou a Reuters.

O Congresso está debatendo uma proposta de emenda constitucional que concede ao Banco Central poderes emergenciais para realizar “afrouxamento quantitativo” como parte de seu arsenal de combate a crises, permitindo a compra de ativos financeiros públicos e privados durante emergências nacionais.

Com a queda da receita tributária e um salto nos gastos para mitigar as consequências econômicas da pandemia, o governo espera que seu déficit exploda este ano para R$ 600 bilhões, ou 8% do Produto Interno Bruto.

Enquanto o Federal Reserve (banco central dos EUA) e o Banco Central Europeu estão disparando suas “bazucas”, programas de compra de ativos no valor de trilhões de dólares e euros, fontes dizem que a flexibilização quantitativa do Brasil será muito mais limitada em seu escopo e direcionada por natureza.

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O presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, disse que sua versão preferida da flexibilização quantitativa achataria a curva de rendimentos sem expandir a base monetária ou o balanço do banco ao comprar títulos de longo prazo enquanto vende dívida de curto prazo —semelhante à “Operação Twist” do Fed em 2011.

O Fundo Monetário Internacional reduziu na semana passada a perspectiva para a economia do Brasil em 2020 a uma contração de 5,3%, contra crescimento previsto antes de 2,2%. Willem Buiter, professor visitante na Columbia University e ex-membro do Banco da Inglaterra, afirmou que as autoridades monetárias precisam abandonar as preocupações sobre a taxa de câmbio, inflação e déficit, ou uma profunda recessão pode se tornar uma depressão.

“A situação é grave. Exige que o banco central use todas as suas ferramentas expansionistas para sustentar o estímulo fiscal que o governo está fornecendo”, disse Buiter.

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