A mais recente pesquisa CNT/MDA de opinião pública não traz boa notícias para o presidente Jair Bolsonaro. De acordo com o levantamento, divulgado há pouco, a avaliação negativa do titular do Planalto aumentou significativamente. Trata-se de um reflexo das ações do presidente a partir da eclosão da pandemia do novo Coronavírus.
Aos números. Entre janeiro e maio, a avaliação negativa de Bolsonaro subiu doze pontos percentuais, passando de 31% para 43%. Por outro lado, a avaliação positiva oscilou de 34% para 32%. De imediato, salta aos olhos um aumento na polarização política que já imperava no Brasil.
A explicação para esse quadro é clara. A chegada do novo coronavírus, entre fevereiro e março últimos, desnudou as fragilidades do governo. O presidente fez pouco caso da situação e, pior, bateu de frente com governadores e prefeitos que começaram de imediato a enfrentar a pandemia.
Indo além, as demissões dos ministros Luiz Henrique Mandetta, que conduzia com mão firme a pasta da Saúde, e de Sérgio Moro, símbolo maior, para o brasileiro médio, do combate à corrupção, apenas pioraram o quadro.
Igualmente atos erráticos de Bolsonaro, como dar pouca importância ao crescente número de mortes no país e participar de eventos públicos, contrariando as recomendações de isolamento social, não caíram bem junto ao eleitorado.
Enfim, o presidente mostra-se perdido na gestão da crise, e os números da pesquisa CNT/MDA apenas reforçam essa percepção. O Brasil está prestes a se tornar, de fato, o novo epicentro da pandemia. O lockdown nas grandes cidades está prestes a entrar em vigor, uma decisão extrema mas necessária, dada a realidade dos fatos. Caso Bolsonaro não mude radicalmente de posicionamento, estará colocando em xeque sua presidência. Pior para todos.
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