Teich pede exoneração do ministério após divergência com Bolsonaro

ministro Nelson Teich
Nelson Teich não concordou com as diretivas do presidente Bolsonaro/Arquivo
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O ministro da Saúde, Nelson Teich, pediu demissão nesta manhã do cargo. Ele ficou menos de um mês na função, depois que o deputado Luiz Mandetta também pediu para sair. Teich estava tendo dificuldades de relacionamento com o presidente Jair Bolsonaro que exigia que o ministro flexibilizasse o uso da cloroquina no tratamento do novo coronavírus (Covid-19). Última atualização às 12h34

O ministro deve dar uma entrevista coletiva à tarde, segundo informou a assessoria de Imprensa. Nesta manhã, houve uma reunião de 15 minutos entre Teich e Bolsonaro. A promessa de “alinhamento completo” de Teich, conforme disse na sua posse, acabou não acontecendo.

De acordo com o jornalista Vicente Nunes, general Eduardo Pazuello deve ser o ministro da Saúde no lugar de Nelson Teich. Na prática, é Pazuello quem está mandando no ministério. Pazuello é o secretário executivo do ministério. Outro nome cotado é da médica Nise Yamaguchi. Ela esteve hoje pela manhã no Palácio do Planalto. Segundo a CNN Brasil, ela ainda está no prédio, talvez numa conversa com Bolsonaro.

Teich vinha sendo cobrado pelo presidente Jair Bolsonaro a modificar o protocolo do ministério para ampliar a recomendação do uso da cloroquina no tratamento à Covid-19, apesar de o ministro ter afirmado que não considera o remédio uma solução e de ter alertado para os efeitos colaterais, lembra a Reuters. Bolsonaro disse nesta sexta-feira que o protocolo será mudado, apesar da posição de Teich. A cloroquina não tem comprovação científica de eficácia contra a doença respiratória provocada pelo novo coronavírus.

Além da cobrança sobre a cloroquina, Teich vinha trabalhando isolado e não foi sequer consultado por Bolsonaro quando o presidente editou decreto nesta semana que ampliou as atividades consideras essenciais para incluir academias e salões de beleza. “Saiu hoje, foi?”, indagou Teich, ao ser avisado pela imprensa na segunda-feira.

Até mesmo em relação a sua principal medida à frente da pasta, passou a encontrar dificuldades. As diretrizes do governo federal para auxiliar Estados e municípios a decidirem sobre as medidas de isolamento social deveriam ter sido detalhadas na quarta-feira, mas a apresentação foi cancelada de última hora depois que os conselhos que reúnem secretários estaduais e municipais de Saúde se manifestaram contra por temerem representar um respaldo ao afrouxamento das medidas de isolamento.

Após a demissão do ex-ministro Luiz Henrique Mandetta por se posicionar publicamente a favor do distanciamento social, contrariando a posição de Bolsonaro, Teich tomou posse dizendo estar alinhado ao presidente, mas recentemente reconheceu a eficácia do distanciamento para conter o avanço da doença e falou inclusive em lockdowns nos locais mais afetados.

Teich havia se ausentado na quinta-feira da entrevista coletiva diária do Ministério da Saúde para tratar da situação da pandemia do coronavírus no país pela terceira vez seguida, em meio às cobranças que vinha sofrendo. De acordo com o Ministério da Saúde, o ministro não participou da entrevista realizada no Palácio do Planalto porque estava reunido com o presidente da República.

O general Eduardo Pazuello, atual secretário-executivo do ministério, assume interinamente a pasta , informou uma fonte próxima. O Ministério da Saúde informou em nota que vai haver uma entrevista coletiva na tarde desta sexta-feira.

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