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Por que o adiamento ou não das eleições municipais impacta a todos?

Quadrilha junina DF Misto Brasília
As quadrilhas juninas são uma importante manifestação cultural no DF/Arquivo/ABr
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Há a perspectiva de que até o final desta semana tenhamos uma decisão quanto ao adiamento das eleições em 2020. O Senado Federal já votou o texto da PEC 18/2020 que posterga o pleito de outubro para novembro; agora resta à Câmara dos Deputados. Grande parte dos leitores desta coluna são de Brasília e podem pensar que as eleições municipais não têm impacto em suas vidas, mas esse é um pensamento equivocado.

Se você ainda não percebeu, tudo tem a ver com política; reforço, inclusive, a pandemia. E, envolve todos os Poderes: Legislativo, Executivo e Judiciário, em nível municipal, estadual e federal, em maior ou menor grau no que se refere aos impactos sociais e econômicos. Teremos então que acompanhar também as campanhas eleitorais de prefeitos e vereadores? Aos brasilienses, não necessariamente de forma profunda e detalhada; mas é indispensável compreender o contexto geral e as implicações enquanto sociedade, principalmente, em um cenário de calamidade pública.

Isso porque, o resultado de 2020 poderá nos antecipar tendências para as eleições gerais de 2022. Assim, saberemos se as teses vencedoras nas eleições de 2018 – conservadorismo, liberalismo econômico, renovação política, por exemplo – serão novamente confirmadas mesmo em meio ao contexto da pandemia do coronavírus – que já contaminou mais de 1,4 milhões de brasileiros, resultando em 59.600 mortes (30/6) -, e à crise política vivenciada pelo governo Bolsonaro.

Com o estado de calamidade pública, permitiu-se a possibilidade de alteração de regras eleitorais (a menos de um ano do pleito), e a pressão tem sido forte por uma decisão célere. Antes contrários ao adiamento, alguns partidos agora foram convencidos, mas a depender de contrapartidas a serem inseridas na PEC durante a votação pelos deputados, que estão mais sujeitos às demandas das prefeituras, do que os senadores. Afinal, são esses que serão suas bases de apoio durante a campanha em 2022; sem a construção dessa rede torna-se praticamente impossível uma reeleição, ainda mais em um novo cenário sem a possibilidade de coligações.

Independente do mês, uma nova logística precisa ser planejada e adaptada a cada município, para além das regras sanitárias. Isso porque o modo de escolha de prefeitos e vereadores em cidades pequenas, principalmente, é feito pela conversa cara-a-cara, com o contato humano, visitas a diferentes cidades e às festividades regionais que por conta do isolamento social não ocorreram. Soma-se ainda o difícil acesso à internet e redes sociais, recursos limitados de candidatos estreantes e, inclusive, desestímulos quanto ao risco de saúde pessoal e para com a família, em especial às mulheres (assunto a ser abordado em outro artigo), que podem – e muito – prejudicar a disputa eleitoral.

A quem beneficiaria o adiamento da data das eleições, mesmo que em apenas um mês? Para alguns partidos, o adiamento significaria prejuízo aos atuais gestores que pretendem uma reeleição, devido ao desgaste político por conta da pandemia. Para tanto, uma das condicionantes a serem negociadas é a destinação de um fundo bilionário (entre R$ 5 e 6 bilhões), que auxiliariam na compensação das despesas com as medidas de combate ao coronavírus. Para outros, a esperança de retorno à normalidade, achatamento da curva de contágio e possibilidade de mais tempo de preparação, seriam alguns pontos favoráveis ao adiamento, sem a prorrogação de mandatos.

Resta saber se haverá confiança da população em sair às ruas e garantir quórum suficiente; e, se o sentimento de mudança política que emergiu em 2018 continua vigente, o que traria nova onda de renovação – atrelada ao bolsonarismo -, ou se os já detentores de poder econômico e influência, tendem a permanecer em vantagem na arena eleitoral.

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