Texto de Vivaldo de Sousa
Com o número de mortes provocadas pela Covid-19 superando 80 mil pessoas no Brasil e ainda em alta, o segundo semestre de 2020 começou com velhos e novos desafios para o governo e para o país. A reabertura da economia em diversas cidades contribuiu, como esperado, para aumentar o número de pessoas contaminadas pelo novo coronavírus. Isso levou alguns municípios e Estados a recuarem na retomada das atividades econômicas. Apesar dos avanços nas pesquisas de uma vacina, as medidas de prevenção continuam e continuarão necessárias.
Do ponto de vista econômico, embora haja alguns sinais de aumento das vendas em alguns setores, há notícias boas e ruins. Entre as boas a queda do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro pode não superar 7%, como previram o Banco Mundial e a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico) _a estimativa do Ministério da Economia é uma queda de 4,7%. Entre as negativas, a recuperação da economia e do emprego continuará lenta, apesar das previsões otimista da equipe econômica.
A decisão do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), pressionado pelo Congresso Nacional, de manter o pagamento do auxílio emergencial por pelo menos mais dois meses (quarta e quinta parcelas) tem pelo menos duas leituras. Uma delas é que ajuda a conquistar entre os beneficiados parte do apoio que perdeu em outro segmentos da sociedade, como mostram algumas pesquisas. A outra é que o governo também avalia que a recuperação da economia será lenta e gradual.
Pesquisa divulgada na semana passada pelo IBGE mostrou que o país perdeu 716 mil empresas durante a pandemia da Covid-19. Esse número representa mais da metade de 1,3 milhão de empresas que estavam com atividade paralisadas temporária ou definitivamente na primeira quinzena de junho, devido às medidas de distanciamento social. A pesquisa mostrou que os efeitos da pandemia atingiram todos os setores da economia, mas foram mais intensos nos segmentos de serviços e pequenas empresas.
Entre as 716.371 empresas fechadas definitivamente, sem perspectivas de voltarem a abrir as portas, 99,8% eram de pequeno porte. Se essa previsão se confirmar e supondo que cada pequena empresa emprega, em média, quatro pessoas, serão mais quase 3 milhões de pessoas que precisaram buscar um novo trabalho neste semestre, elevando o número de desempregados. Importante lembrar que a pesquisa divulgada pelo IBGE não traz informações sobre o total de trabalhados das empresas fechadas.
Regionalmente, o fechamento de empresas foi mais intenso nas regiões mais desenvolvidas do país, como Sudeste, com 385 mil negócio, e Sul, com 164 mil. Em seguida está o Nordeste, onde 123 mil empreendimentos encerram suas atividades. A pesquisa do IBGE mostrou ainda que entre os 1,3 milhão de negócios fechados, mesmo que temporariamente, 42% informaram ter tomado a decisão devido à pandemia da Covid-19. Ou seja, quatro em cada dez empresas fecharam devido à pandemia.
A pesquisa traz ainda um dado importante para se avaliar as perspectivas de recuperação da economia nos próximos meses: o impacto da crise provocada pelo novo coronavírus não se restringiu a quem fechou. Entre as empresas que mantiveram suas atividades, 70% afirmaram que a Covid-19 teve efeito negativo sobre seu negócio, com diminuição de vendas ou serviços, na comparação com o início da pandemia, e 948,8 mil cortaram pessoal no período. Embora a equipe econômica diga que não, a recuperação ainda deverá precisar de incentivos adicionais vindos do setor público.
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