Texto de André César
Hoje voltamos a falar da pandemia e suas consequências. No Brasil, o quadro não dá sinais de melhora e os governos – federal, estaduais e municipais – seguem enfrentando dificuldades no combate à Covid-19. Nem mesmo a perspectiva de uma vacina a médio prazo muda o ambiente geral. Dois números sintetizam a dura realidade.
10.000 mortos – a cidade de São Paulo atingiu a triste marca de 10.000 óbitos. A título de comparação, se fosse um país, a capital paulista estaria em décimo terceiro lugar no ranking de mortes, à frente de nações como Argentina e Alemanha. Situação no mínimo desconfortável.
A distribuição dos casos na cidade repete o ocorrido no país como um todo. Após atingir inicialmente os bairros centrais, mais ricos, a doença se espalhou para a periferia, onde hoje se concentra o maior número de mortes. Algo que já era esperado, e as autoridades públicas não tiveram condições de enfrentar.
No caso paulistano, é correto afirmar que a prefeitura, comandada por Bruno Covas (PSDB), ainda que bem intencionada, cometeu erros, cometeu erros. As idas e vindas sobre a reabertura de atividades confundiram o cidadão e, no limite, estimularam a população a sair às ruas. Também questões relativas ao trânsito (rodízio) e ao funcionamento do comércio não foram bem conduzidas. De fato, a parceria com o governo estadual (João Dória) poderia ter sido mais eficaz.
No plano político imediato, o grande teste para o prefeito será a disputa eleitoral de novembro. A população dará o veredito sobre sua gestão, focada especialmente no combate à pandemia. Pensando bem, a eleição acaba se tornando uma questão menor, se pensarmos nas vidas perdidas.
100.000 mortos – enquanto isso, o Brasil se encaminha rapidamente para o simbólico número de 100.000 mortos. O país está em segundo lugar no terrível ranking, atrás apenas dos Estados Unidos, comandados desastrosamente por Donald Trump.
O caso brasileiro tem poucos paralelos no planeta. As autoridades do país, em especial o presidente Jair Bolsonaro e o ministério da Saúde, não seguiram orientações básicas de especialistas e de órgãos como a Organização Mundial da Saúde (OMS). A quarentena e o isolamento social foram desprezados pelo governo federal, medicamentos não recomendados foram apontados pelo presidente e seus seguidores como eficazes e a doença foi tida como uma gripezinha”. Uma comédia de erros, cujos (trágicos) resultados finais ainda estão por ser conhecidos.
Não espanta, desse modo, o fato de o país estar sem um ministro da Saúde há meses. O titular-interino, Eduardo Pazuello, é um militar sem a mínima experiência na área. Pior, cercado por outros militares, sua gestão beira o patético.
É evidente que as consequências da pandemia seriam graves, independentemente da qualidade da ação do governo federal. No entanto, Bolsonaro conseguiu tornar o quadro ainda mais dramático. O Brasil levará anos para se recuperar. Os 100 mil mortos, infelizmente, poderão ser apenas um retrato do caos nacional.





















