O Atlas da Violência 2020 divulgado hoje (27) e elaborado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) em parceria com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública aponta que 30.873 jovens na faixa etária entre 15 e 29 anos foram vítimas de homicídios no ano de 2018, o que representa 53,3% do total de 57.956 vítimas em todo o país.
“Esse fato mostra o lado mais perverso do fenômeno da mortalidade violenta no país, na medida em que mais da metade das vítimas são indivíduos com plena capacidade produtiva”, avalia o pesquisador Daniel Cerqueira, um dos autores do estudo. A íntegra do Atlas da Violência 2020
A publicação aponta melhora nos índices de mortalidade violenta juvenil, com apenas três estados apresentando elevação na taxa de homicídios na faixa entre 15 e 29 anos, entre eles Roraima (+119,8%), Amapá (+15,5%) e Rio de Janeiro (+4,2%). Já os decréscimos mais expressivos ocorreram em Pernambuco (-28,3%), Espírito Santo (-27%) e Minas Gerais (-26,2%). O Atlas 2020 também analisou os números do período entre 2008 a 2018 e registrou um aumento de 13,3% na taxa de jovens mortos, passando de uma taxa de 53,3 homicídios a cada 100 mil jovens em 2008 para 60,4 em 2018.
O Atlas da Violência 2020 tem como base de dados os números apresentados pelo Sistema de Informação sobre Mortalidade, do Ministério da Saúde e também traz números alarmantes sobre o impacto da desigualdade social nos números sobre violência contra as mulheres, as mortes por arma de fogo e o perfil das vítimas de homicídio entre 2008 e 2018.
- Jovens entre 15 e 29 anos representaram 53,3% do total de homicídios
- 75,7% das vítimas de assassinatos no país são negras. A disparidade nas tendências de taxas de mortalidade entre negros e não negros evidencia a desigualdade racial: enquanto a taxa de homicídio de negros cresceu 11,5% na última década, entre não negros houve redução de 12,9%.
- Em 2018, uma mulher morreu assassinada a cada duas horas no país
- 68% das mulheres mortas são negras, a taxa é praticamente o dobro na comparação com não negras
- Em dez anos, a taxa de homicídio de mulheres negras cresceu 12,4%; já a taxa de homicídio de não negras caiu 11,7% no período.
- País registrou 57.956 assassinatos em todo o país em 2018, uma queda de 12% na comparação com 2017; na década, 91,8% das vítimas foram homens


