Estudo mostra que infecção pela Covid-19 no futebol é de baixo risco

Gama e Palmas Série D
jogo como este, ente pela Série D do Brasileiro seria de baixo risco/Marcelo Casal Júnior/Agência Brasil
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Texto de Paulo Curado

O tempo máximo de exposição de jogadores e árbitros a menos de dois metros de distância entre si, analisados numa partida de futebol, foi de seis minutos. Este é um dos dados retirados de um recente estudo promovido pela Portugal Football School (PFS), que sugere que esta modalidade coletiva não é de alto risco de exposição respiratória para a transmissão do Covid-19. Um indicador que está em sintonia com a classificação de modalidade de “médio risco” atribuída pela Direção-Geral da Saúde, em agosto deste ano.

“As pessoas acabam por pensar ou ter uma concepção de que estão 22 jogadores, mais o árbitro, dentro de um retângulo, e parece que o contato é muito permanente e de muita proximidade. Mas quando quantificamos, e foi mesmo esse o objetivo [deste estudo], percebemos efetivamente que não é assim tanto contato quando comparado com outro tipo de contatos mais sociais”, explicou Bruno Gonçalves, professor auxiliar do Departamento de Desporto e Saúde da Universidade de Évora e um dos membros da equipa de investigadores.

As conclusões foram retiradas através da análise dos resultados da monitorização das dinâmicas de um jogo de futebol, recorrendo a dados de rastreamento, que permitiram avaliar o contato interpessoal entre os indivíduos em campo. “O tempo máximo de exposição entre dois jogadores adversários que identificamos a menos de dois metros foi de seis minutos e meio”, salientou Bruno Gonçalves.

No jogo em questão – que não é identificado no estudo, mas que terminou empatado em três gols -, foram analisados os posicionamentos e movimentações dos jogadores e árbitros, através de um sistema com câmeras super-HD e tecnologia de processamento de imagem patenteada. Uma tecnologia que é já utilizada nos campeonatos de Inglaterra, Alemanha, Espanha, Holanda, Liga dos Campeões e nos jogos internacionais organizados pela UEFA e Fifa.

A primeira medida de exposição respiratória, calculada para cada indivíduo, foi baseada no tempo passado a uma distância inferior a dois metros em relação aos restantes. Para o cálculo da segunda medida, foi adicionado à primeira o tempo de exposição à “nuvem” de gotículas respiratórias formada pelo movimento dos outros intervenientes.

As duas medidas de exposição respiratória analisadas, segundo defendem os autores do estudo, podem servir para a identificação imediata de contatos de alto risco de um caso suspeito ou confirmado de coronavírus (Covid-19) durante um jogo ou treino, contribuindo para uma intervenção e interrupção de uma eventual cadeia de transmissão.

O modelo de análise, baseado na tecnologia digital, poderá ter igualmente um papel essencial na estratificação de risco dos diferentes desportos e atividades físicas no âmbito da gestão das medidas de combate à pandemia.

Nesta investigação da PFS participaram cientistas da Universidade de Évora, Universidade do Porto, Instituto Universitário da Maia, Universidade da Beira Interior e Universidade Nova de Lisboa.

(Paulo Curado trabalha no Público)

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