Texto de Gilmar Corrêa
Nesta sexta-feira o dia amanheceu muito bonito em Brasília. Alegria para os olhos. É uma região muito linda e, particularmente, agradável. Sim, claro, tem outros locais nesse grande Brasil que tiram o fôlego da gente, mas fico aqui com o nosso quadrado.
A opinião sobre onde moramos é tão vasta quanto o número de municípios. Há coisas boas e não tão interessantes em cada uma das cidades. E parte dessas questões foram discutidas nas eleições municipais recentes. A partir desses temas locais e regionais, é possível desenhar os grandes projetos nacionais.
Esta ordem nem sempre é acompanhada em nossas rotinas como cidadãos brasileiros, que imaginam um presente e um futuro melhores. Nesta manhã brasiliense ensolarada, por exemplo, o noticiário se encarregou da fala do presidente Jair Bolsonaro sobre a tal da “gripezinha”, mas uma vez levantada pelo próprio numa “live” de quinta-feira à noite. Bolsonaro falou que não disse, resumindo, mentiu. Enfim…
Lula da Silva, Dilma Roussef, Michel Temer, para citar os últimos presidentes da República, também escorregaram na verborragia midiática. Mentiram em várias ocasiões e em muitas, potencializaram promessas que nunca foram cumpridas.
A fala do atual presidente é uma nuvem, a fumaça que encobre o debate das reais necessidades brasileiras.
Então, o que seriam essas necessidades para que o debate maduro, real e honesto seja travado? Você e eu podemos ter ideias diferentes, mas penso que queremos o melhor para nós, para as nossas famílias e para a comunidade que pertencemos.
Esse deveria ser o objetivo, mas não é o que ocorre. Vivemos dia após dia uma discussão inglória, sem fim, como essa da “gripezinha”, que desvia as discussões de assuntos que realmente importam.
Veja o que acontece com os trabalhadores.
Dilma Roussef foi enxotada do Palácio do Planalto. Nos debates que se travaram e que impulsionaram o impeachment, estavam a sua popularidade e o desemprego crescente. Depois de quatro anos, continuamos com essa cantilena sem uma real decisão de como atacar e reduzir essa tragédia nacional.
Ok, tivemos a pandemia, mas esta deveria ser o motivo a mais para que fosse buscado um programa nacional de desenvolvimento. Você pode até discordar de mim, mas deve perceber que simplesmente não há um plano.
Como também não há uma proposta legítima para a educação. Estamos patinando em discursos e debates paralelos sem fim, ou seja, que não levam a nada.
Cansa essa pasmaceira, onde as conversas são fomentados por interesses menores, que acabam dominando o noticiário. Essa onda leva a maioria, num efeito boiada. O raciocínio e a inteligência são trocados por radicalismos burros.
Em tempo – Em julho de 2018, foi publicado que os assuntos relacionados a segurança e economia foram os mais debatidos pelos brasileiros no Facebook. No ranking de áreas objeto de maior preocupação, os dois temas são seguidos por educação (119,9 milhões de usuários e 26,7 milhões de pessoas), tecnologia (102 milhões e 19,4 milhões), saúde (96 milhões e 25,9 milhões) e habitação (81,3 milhões e 19,7 milhões).
Na divisão por gênero, o tema de maior preocupação das mulheres foi Saúde (65% to total de pessoas interagindo), seguido de Educação (64%) e Habitação, Economia, Meio Ambiente e Gênero (62%). Já a participação de homens foi maior nas conversas virtuais sobre Indústria (47%), Segurança (43%), Agricultura (41%) e Turismo e Transporte (40%).


