A maioria da Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal decidiu liberar o compartilhamento da íntegra das mensagens vazadas da Lava Jato com a defesa do ex-presidente Lula da Silva (PT). Os advogados de Lula queriam analisar as conversas para colocar em suspeição a atuação do ex-juiz Sergio Moro quando ele estava à frente da 13ª Vara de Curitiba, onde corriam os principais casos da Lava Jato. Isso pode levar à reversão das condenações do petista.
O Intercept Brasil reproduziu nesta terça-feira (09) uma reportagem originalmente publicada no livro “Vaza Jato: os bastidores das reportagens que sacudiram o Brasil“. O texto revela que os procuradores do consórcio de Curitiba buscavam o apoio da Globo para aprovar o projeto das “10 medidas de combate à corrupção”.
“A globo é, como Vc diz, um transatlântico… não só para mudar de direção, mas também para impulsionar kkkk”, escreveu Deltan Dallagnol a um repórter da emissora em agosto de 2015.
Em um grupo do Telegram, o procurador Daniel Azeredo se mostra orgulhoso de ter tido um “ótimo contato” com José Roberto Marinho, um dos herdeiros do conglomerado de mídia.
“Deltan, jantei na semana passada com o José Roberto Marinho (com quem tenho um ótimo contato desde a Rio +20) da Globo e conversei sobre a campanha e novas formas de aprofundarmos a divulgação. Falamos por alto em uma série no jornal nacional comparando os modelos de combate a corrupção de outros países e mostrando como as 10 medidas aproximaria o Brasil dos sistemas mais eficientes do mundo, mas há abertura para outras ideias. O diretor executivo de jornalismo da Globo está em contato conosco para conversar sobre o assunto. Vou fazer uma conversa inicial e colocá-lo em contato com você tudo bem?”, escreveu o procurador em agosto de 2015. “Shou heim”, comemorou Dallagnol.
Juiz não pode participar das negociações de acordo de colaboração premiada. Contudo, mensagens trocadas por integrantes da força-tarefa da “lava jato” no Paraná indicam que Sergio Moro, ex-juiz da 13ª Vara Federal Criminal de Curitiba, tinha interesse na celebração de certos acordos, como o do ex-presidente da OAS Léo Pinheiro e o do ex-ministro da Fazenda e da Casa Civil Antônio Palocci, segundo escrever o site Conjur.
A conversa consta de um documento enviado pela defesa do petista ontem (08) ao ministro Ricardo Lewandowski, do Supremo Tribunal Federal. O diálogo faz parte do material apreendido pela Polícia Federal no curso da chamada operação “spoofing”, que mira hackers responsáveis por invadir celulares de autoridades.
Em 3 de maio de 2018, o chefe da força-tarefa da “lava jato”, Deltan Dallagnol, afirma em grupo de mensagens que é preciso conversar com Moro sobre eventual acordo de delação com Palocci — que acabou sendo fechado pela Polícia Federal, e não pelo Ministério Público Federal. “Após analisarmos Palocci, temos que falar pro Moro, que não vai querer a pena aliviada num caso dele sem justificativa e tem ponte com TRF”.


