O presidente Jair Bolsonaro anunciou na noite desta segunda-feira (29) uma reforma ministerial. Após o anúncio da saída de dois ministros durante a tarde, o presidente confirmou pelo Twitter a troca do comando de seis pastas. Os nomes foram publicados hoje (30) no Diário Oficial da União. Hoje também foi nomeado para exercer o cargo de secretário-executivo do Ministério da Saúde, Rodrigo Otávio Moreira da Cruz.
O tamanho da reforma surpreendeu, já que, até o fim de semana, apenas a saída de Ernesto Araújo era dada como provável. Segundo interlocutores, Bolsonaro aproveitou a saída dele para realizar uma reforma maior.
Para analistas, as mudanças são um aceno ao Centrão. As trocas ocorrem poucos dias após o presidente da Câmara, Arthur Lira ter (PP-AL), ter criticado o governo e afirmado que estava “apertando o sinal amarelo” e que os remédios políticos do Congresso para lidar com a “espiral de erros” no combate à pandemia são “conhecidos”, “amargos” e alguns, “fatais”.
“Muitas vezes [os remédios políticos] são aplicados quando a espiral de erros de avaliação se torna uma escala geométrica incontrolável. Não é esta a intenção desta presidência. Preferimos que as atuais anomalias se curem por si mesmas, frutos da autocrítica, do instinto de sobrevivência, da sabedoria, da inteligência emocional e da capacidade política”, declarou na ocasião, em discurso no plenário da Câmara.
Horas depois do anúncio da saída de Ernesto Araújo, o ministro da Defesa, Fernando Azevedo e Silva, também deixou o cargo, sem explicar os motivos. “Agradeço ao presidente da República, a quem dediquei total lealdade ao longo desses mais de dois anos, a oportunidade de ter servido ao país, como Ministro de Estado da Defesa. Nesse período, preservei as Forças Armadas como instituições de Estado”, afirmou Azevedo e Silva em nota.
“O meu reconhecimento e gratidão aos comandantes da Marinha, do Exército e da Aeronáutica, e suas respectivas forças, que nunca mediram esforços para atender às necessidades e emergências da população brasileira. Saio na certeza da missão cumprida”, acrescentou.
Pouco depois, foi a vez de o ministro-chefe da Advocacia-Geral da União (AGU), José Levi, também entregar o cargo. De acordo com a imprensa brasileira, a saída de Levi teria sido pedida por Bolsonaro após o chefe da AGU ter se recusado a assinar uma Ação Direta de Inconstitucionalidade do Planalto ao Supremo Tribunal Federal (STF) contra restrições impostas pelos governadores da Bahia, do Rio Grande do Sul e do Distrito Federal para conter a pandemia.



















