Texto de Maya Felix
Quando fui morar na França, em 1996, sabia muito pouco de francês. Logo que comecei a dominar a língua, entretanto, todo um mundo de múltiplas significações e etimologias se abriu para mim.
Aqui no Brasil dizemos “fofoca”, mas em francês a palavra é “commérage“. Muito diferente. Fofoca, segundo estudos, tem origem banta, radicado no quimbundo fuka, que quer dizer revolver, remexer. Já commérage vem de commère, co + mère (mãe), ou seja, comadre.
Na língua francesa, o ato de espalhar intrigas, bisbilhotar, julgar sem conhecimento e revolver notícias dos outros é coisa de mulherzinha. Mulherzinha, comadre, aquela que tem pouca ocupação na vida e passa, por isso, a se ocupar da vida alheia. Confesso que para mim foi uma descoberta fundamental.
Pesquisas já demonstraram que enquanto uma mulher usa 20 mil palavras por dia, um homem usa cerca de sete mil. Isso é genético e está ligado a uma proteína chamada FOXP2. Ela é produzida em maior quantidade no cérebro feminino e em menor no masculino. A etimologia da palavra francesa explica com perfeição o que apenas recentemente estudos científicos conseguiram demonstrar.
Eu, particularmente, acho a fofoca um problema mais de caráter que de sexo. Isso porque há muitos homens – desmasculinizados e desmoralizados quanto à sua condição masculina e seu papel social – que não deixam passar a oportunidade de falar dos outros, seja ou não verdade o que se fala. Masculinidade e os atributos da virilidade andam em baixa nestes tempos. Daí a relação sinonímica entre virilidade e masculinidade, também valorativos de retidão de caráter, dignidade, honradez.
Homens fofoqueiros são comadres que não compreenderam nada sobre seu papel de líderes e protetores na sociedade. Homens verdadeiramente másculos são avessos a conversinhas, a futricas, a fofocas, boatarias e falatórios. Sempre que você observar um homem que fala constantemente e com prazer da vida alheia, saiba que lhe falta macheza.





















