Texto de André César
Entre hoje e quinta-feira próxima, a CPI da Covid do Senado Federal terá oitivas de fundamental importância para os rumos dos trabalhos de investigação. O ministério da Saúde estará no centro das atenções do colegiado.
O primeiro a falar será o ex-ministro Luiz Henrique Mandetta (DEM-MS). Seu depoimento é dos mais esperados, pois ele comandou a pasta durante o período inicial da pandemia. Desafeto do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), ele deverá atacar as políticas adotadas pelo Planalto, como o incentivo ao uso de medicamentos sem eficácia comprovada.
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A oitiva de Mandetta terá um aspecto no mínimo curioso. Na condição de pré-candidato à sucessão presidencial, ele certamente tentará ganhar pontos junto ao eleitorado na sessão de logo mais. No entanto, um dos principais integrantes da tropa de choque governista, o senador Marcos Rogério (DEM-RO), é correligionário do ex-ministro. Como ele se comportará ainda é uma incógnita – defenderá o presidenciável de seu partido ou atacará o adversário do atual titular do Planalto?
O depoimento seguinte, do também ex-ministro Nelson Teich, deverá seguir na mesma linha de Mandetta. Por ter ficado menos de um mês no comando do ministério, porém, ele terá pouco a acrescentar.
Na quarta-feira, os holofotes estarão voltados para o notório general Eduardo Pazuello. A princípio defensor fiel de Bolsonaro, ele pode se sentir abandonado pelo Planalto e, no limite, colocar o governo em situação delicada. Pazuello, por sinal, oscila entre o “arquivo vivo” e o “homem-bomba” da CPI.
Encerrando a semana, falarão ao colegiado o atual ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, e o diretor-presidente da Anvisa, Antônio Barra Torres. Queiroga, que assumiu o posto há pouco tempo, deverá adotar uma postura defensiva, sem grandes novidades.
Já o comandante da Anvisa será pressionado pelos senadores a detalhar a questão referente à recusa da agência em liberar a produção no Brasil da vacina Sputnik V, de origem russa. Assunto delicado, que poderá ter graves desdobramentos.
Os membros da CPI terão farto material para trabalhar a partir desses depoimentos. A pressão sobre o Planalto aumentará significativamente de agora em diante.




















