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Bolsonaro e as pesquisas

Jair Bolsonaro motociclistas passeio DF Misto Brasília

Ação na justiça do Ceará quer impedir a aglomeração de Bolsonaro com motocicletas/Divulgação

Texto de André César

Em meio ao noticiário negativo, como a CPI da Covid, o lento avanço do processo de vacinação da população e a recente denúncia sobre a existência de um “orçamento secreto”, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) tenta agora conter a queda de sua popularidade. Duas pesquisas divulgadas há pouco indicam que a avaliação popular do titular do Planalto pode ter ingressado, ao menos a curto prazo, em um período de estabilidade.

Os dois levantamentos foram realizados nos primeiros dias de maio. À parte as diferenças metodológicas, os resultados apresentados são convergentes. Segundo a pesquisa Atlas, divulgada pelo jornal El País, a desaprovação a Bolsonaro caiu de 60% em março para 57% agora, enquanto o índice de aprovação passou de 35% para 40%.

O instituto Ideia, cuja pesquisa foi publicada pela revista Exame, mostra números similares. A avaliação “bom/ótimo” oscilou positivamente em um ponto percentual e agora está em 24%. Já o “ruim/péssimo” interrompeu uma trajetória de alta e está em 50%, dois pontos percentuais abaixo do levantamento anterior.

A estabilização temporária pode ser explicada, ao menos em parte, pelo retorno do auxílio emergencial, e também pela postura reativa dos simpatizantes de Bolsonaro, que recentemente saíram às ruas em defesa do presidente.

A pesquisa Atlas aborda também a disputa eleitoral. Em uma extensa lista de pré-candidatos, Bolsonaro receberia 37% dos votos (33% em março), enquanto o ex-presidente Lula da Silva (PT) teria 33% (27% em março). Os demais postulantes, entre eles representantes da chamada Frente Ampla Democrática, oscilam todos em torno de 4%-5%.

Duas considerações a se fazer a partir da simulação sucessória. Em primeiro lugar, os apoiadores de Lula ganham ânimo suplementar na disputa contra o atual presidente – além de estar próximo no primeiro turno, o petista seria o único a vencer Bolsonaro em segundo turno.

A segunda consideração diz respeito ao desempenho dos demais pré-candidatos. Aos olhos do eleitor médio, nomes como o de Ciro Gomes (PDT), Luiz Henrique Mandetta (DEM), João Dória (PSDB) e Luciano Huck (sem partido) praticamente não existem. Os números reforçam a urgência para o bloco de centro definir com rapidez o programa é o candidato (ou candidatos) à sucessão. Do contrário, serão meros coadjuvantes na disputa.

Enfim, Bolsonaro pode respirar, por ora. Mesmo em meio ao turbilhão pelo qual passa seu governo, a situação não é desesperadora. A depender dos rumos das investigações da CPI da Covid e do “orçamento secreto”, porém, a trajetória de queda poderá ser retomada. As próximas semanas trarão as respostas.

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