Um tenente médico anestesista da Marinha seria o autor da minuta do decreto que alterava a bula da cloroquina para que o remédio fosse usado no tratamento da Covid-19. O levantamento consta das investigações em torno do gabinete paralelo. A bula seria alterada depois que a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) barrar o remédio para a peste.
Consta que o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) se reuniu no dia 20 de abril do ano passado com médicos defensores do tratamento precoce. De acordo com o Correio Braziliense, a imunologista Nise Yamaguchi só tomou conhecimento da minuta no dia seguinte. O tenente Luciano Dias Azevedo trabalhou sob a supervisão de Arthur Weintraub, então assessor especial de Bolsonaro.
Em todas as conversas com médicos como Nise e o virologista Paulo Zanotto para se chegar à proposta de mudança na bula da cloroquina, o tenente Azevedo deixou claro que o tema era prioridade para o Palácio do Planalto, pois o presidente Bolsonaro precisava reforçar o discurso dele em favor do tratamento precoce contra a covid-19.
O gabinete paralelo, que também incluía o vereador Carlos Bolsonaro (Republicanos-RJ), filho 02 do presidente, foi incumbido de dar suporte a Bolsonaro, que enfrentava fortes críticas por se opor a medidas de isolamento social e minimizar a pandemia, segundo a reportagem.
O tenente também foi a público defender o uso da cloroquina, sempre citando como exemplo a Itália, que teria usado o medicamento no momento mais crítico da primeira onda da pandemia do novo coronavírus. Ele dizia que todos estavam no meio de uma guerra. “Era a última saída”, dizia.



























