Mozart Vianna, um exemplo

Mozart Vianna de Paiva Câmara dos Deputados
Mozart Vianna tinha 69 anos e morreu ontem à tarde/Arquivo/Agência Câmara
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Texto de André César

Falarei hoje de um profissional que foi referência para todos aqueles que fazem da política, mais que um ofício, uma paixão. Mozart Vianna, ou o “Dr. Mozart”, deixa um vazio, mas também um legado único. Um exemplo de cidadão e de servidor.

Não é fácil ocupar a cadeira de secretário-geral da Mesa da Câmara dos Deputados por mais de 20 anos, dando o suporte técnico-regimental a todo tipo de presidente da Casa – de Ibsen Pinheiro a Michel Temer, de Luís Eduardo Magalhães a Arlindo Chinaglia, passando pelo folclórico Severino Cavalcanti. Independentemente do perfil político-ideológico, todos contaram com o brilhantismo do Dr. Mozart nos momentos mais difíceis. E não foram poucos.

Sua carreira na Câmara ilustra bem a qualidade ímpar de seu trabalho. Ex-seminarista formado em letras, ingressou na Casa por concurso público em 1975 para o cargo de datilógrafo. Na Assembleia Nacional Constituinte, entre 1987 e 1988, foi supervisor do Grupo de Apoio da Secretaria-Geral da Mesa (SGM), onde coordenou uma equipe de 150 pessoas, atuando em todas as fases – da preparação do Regimento Interno até a redação final do projeto de Constituição. Daí para o cargo de secretário-geral, em 1991, foi um pulo.

Dr. Mozart tinha o Regimento Interno na ponta dos dedos, ou melhor, na memória. Não havia dúvidas quanto a qualquer assunto referente ao funcionamento da Casa que ele não dominasse – e apontasse a solução. Esse conhecimento, por sinal, era dividido não somente com parlamentares e servidores, mas também com jornalistas e demais profissionais que circulam no dia a dia pelos corredores do Congresso Nacional.

Em seu gabinete, sempre recebia gente em busca de informação e análise sobre os fatos correntes. Tenho uma história pessoal a respeito disso. No auge da crise do Mensalão, em 2005, com a CPI Mista dos Correios pegando fogo e o governo do presidente Lula da Silva sob intensa pressão, Dr.Mozart ficou por quase uma hora comigo, explicando um artigo regimental de interesse do grupo que eu então representava. Tempo precioso que ele dedicou à minha pessoa.

Em tempos sombrios como os atuais, faz muita falta uma figura como Mozart Vianna. Fica aqui minha homenagem.

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