O chamado pela ação miliciana (violenta) objetiva ameaçar de morte as forças políticas de resistência
Texto de André César e Vinício Carrilho Martinez
O Brasil vive um período de turbulência poucas vezes visto em nossa história. O principal fiador desse quadro é justamente aquele que deveria manter a estabilidade da nação. O presidente da República será julgado pela História por seus atos e omissões.
Claramente inspirado em Mussolini, com sua tática de mobilização (que inclui até mesmo as notórias motociatas), o titular do Planalto não esconde mais seus objetivos. O poder pelo poder, custe o que custar. Tempos ásperos.
Assim chegamos ao 7 de setembro, com toda a incerteza e o medo de que as coisas saiam de controle e o Brasil mergulhe de vez na escuridão. Precisamos falar sobre isso.
O Fascismo miliciano no desfile do 7 de Setembro de 2021 tem no emprego da violência (medo da morte violenta) um marco contra a civilização. Sem desconsiderar outros fatores – como o racismo, a misoginia, a homofobia –, o Fascismo miliciano convoca militares e policiais, da ativa e da reserva, para aterrorizar a democracia.
O chamado pela ação miliciana (violenta) objetiva ameaçar de morte as forças políticas de resistência. É como se dissessem: “Vá e tome tiro. Morra!”.
Essa tática, impondo a força física como arma para caçar as oposições políticas, é das mais antigas no modelo fascista: 1919. Portanto, no Fascismo miliciano, o emprego de força física por paramilitares – obviamente cometendo inúmeros crimes comuns – é a pior ameaça de morte à própria democracia.
Além disso, é preciso ter claro que as “milícias” são, por sua natureza, constituídas por militares e policiais que traíram a moralidade pública (a honestidade elementar) e, assim, foram atraídos por organizações criminosas.
Serão essas as principais forças a participar do desfile cívico de 7 de Setembro?
Não há cinismo nessa convocação miliciana?
São esses os “cidadãos de bens” (ilícitos) que saldarão a independência desse pais?
Realmente, nossa melhor ficção precisa de um Tropa de Elite III.
(Vinício Carrilho Martinez é cientista social e professor da UFSCar e André César é cientista político)



















