Há modelos com valorização de mais de 20% em um ano, segundo as entidades do setor
O mercado de venda de carros e comerciais novos registra recorde, com volume de R% 7,59 milhões até o mês de agosto. O valor representa quase 50% do registrado no ano passado, que foi muito fraco em função da pandemia da Covid-19, que começou em março de 2020.
Está também 7% acima dos mais de 7 milhões de usados vendidos em igual período de 2019 — até então o melhor resultado da história, segundo a Fenabrave, que representa as concessionárias.
Segundo o repórter Afonso Marangoni, da Revista Oeste, as negociações de carros usados tiveram um boom neste ano, ocupando espaço dos modelos novos que sumiram das lojas em razão da falta de chip para a produção. Com demanda em alta, há uma escalada de preços que não se via desde o Plano Cruzado (nos anos 1980).
Há modelos com valorização de mais de 20% em um ano. Num mercado normal, o automóvel perde entre 15% a 20% do seu valor depois de um ano de uso.
A reportagem registra que a relação entre a venda de carros usados e novos também está no ponto máximo da série histórica realizada desde julho de 2004 pelo Bradesco, que trabalha com dados dessazonalizados. Para cada automóvel zero vendido no ano, foram comercializados 6,5 usados. O maior nível anterior tinha sido verificado na crise de 2015 e 2016, quando ficou em 5,5.
“Em períodos de crise é normal essa métrica subir, mas dessa vez a massa salarial foi preservada pelos estímulos (do governo) e as vendas cresceram em parte por causa da demanda, e em parte por causa da falta dos novos”, diz o economista do Departamento de Pesquisa e Estudos Econômicos do Bradesco, Renan Bassoli Diniz.
O vice-presidente da Fenabrave, José Maurício Andreta Júnior, diz acreditar que o mercado de usados deve encerrar o ano com mais de 11 milhões de veículos vendidos, confirmando assim o melhor resultado da história do segmento.
Para os novos, diz ele, é difícil fazer previsões, porque vai depender da capacidade das montadoras de entregar carros para as revendas. A previsão do mercado é de que a falta de semicondutores deve se manter pelo menos até meados de 2022.





















