O estrago está feito. O presidente já não tinha boas relações com os servidores em geral
Texto de André César
O ano mal começou e o presidente Jair Bolsonaro (PL) já se depara com um problema de peso criado por ele mesmo, o reajuste salarial de policiais. A definição da questão será crucial para os interesses futuros do governo.
Para relembrar os fatos, no apagar das luzes de 2021 o titular do Planalto anunciou um reajuste nos vencimentos exclusivamente para os servidores da segurança pública (Polícia Federal, Polícia Rodoviária Federal e uns poucos mais), deixando todo o resto do funcionalismo de fora. A reação foi imediata – um inédito movimento nacional de entrega de cargos na Receita Federal, Banco Central e entre auditores do trabalho.
E não ficou nisso. Os servidores estão mobilizados e existe a ameaça real de uma paralisação de grande porte em todo o país muito em breve. Há tempos não se via tal esgarçamento nas relações entre o governo federal e o funcionalismo. A pressão sobre Bolsonaro é grande. O que fazer?
Em entrevista ao jornal Folha de São Paulo, o líder do governo na Câmara dos Deputados, Ricardo Barros (PP-PR), cogita da possibilidade de um recuo do Planalto no reajuste previamente anunciado, para conter a pressão das demais categorias. Péssima solução, como se viu. Representantes da Polícia Federal e da Polícia Rodoviária Federal já afirmaram que, confirmado esse novo encaminhamento, ele será visto como “traição”.
O estrago está feito. Bolsonaro, que já não tinha boas relações com os servidores em geral, perdeu de vez as condições mínimas para negociar. Por outro lado, ao sinalizar um recuo no prometido para a segurança pública, de quem é mais próximo, gera uma fissura que terá inevitáveis consequências a médio prazo. O resumo da ópera é claro – o grande perdedor dessa história é o Planalto.
Enfim, Bolsonaro inicia o ano eleitoral de 2022 sendo simplesmente Bolsonaro. Pouco afeito ao complexo cotidiano do Executivo, ele faz promessas de todo tipo e delega as soluções para seus colaboradores, perdendo assim o controle do processo. Muito pouco para um presidente que almeja a reeleição.














