Não são as coisas extraordinárias, e sim os detalhes cotidianos que fazem a diferença
Texto de André César
Vivemos tempos duros, ásperos, terríveis. Sejamos felizes, ao menos por um momento.
Uma risada de criança. Uma gargalhada de criança. A companhia da pessoa amada. Uma xícara de café fumegante. Vento no rosto, sol na cara.
O macarrão que lembra o da vovó. O telefonema de um amigo. Reunião de família, encontro de irmãos. Celebrar o gol de seu time do coração. Uma notícia boa. Copo de água gelado, mergulho na piscina em dia de calor escaldante.
Um encontro inesperado em plena terça-feira de trabalho pesado. Um sorriso sincero, um abraço, um afago para aliviar o cansaço.
Um disco de Caetano, uma canção de Charles Aznavour. Ler o jornal no café da manhã. Um elogio do colega. Convite de casamento, convite de celebração de bodas de ouro. Carnaval, Páscoa, Natal. Feriadão. Uma praia, um dia no campo. Um romance de Padura, um poema de Pessoa. Encontrar nota de vinte reais no bolso da calça que vai para a lavanderia.
Fotos do passado, um retrato da primeira namorada. Pizza de quatro queijos, sorvete de chocolate. Copa do Mundo, Jogos Olímpicos. Filme de Jerry Lewis, comédia de Chaplin ou Trapalhões.
Cerveja estupidamente gelada para um batalhão (ou não), uma taça de vinho tinto. Mesa farta para todos. Um quadro de Van Gogh, uma tira de Angeli. Uma viagem para o interior. Amanhecer, entardecer. Acordar. Sonhar.
Sem guerra, sem medos. Sem preconceitos, sem ódios. Sem divisões. Paz.
Uma risada de criança. Sejamos felizes, ao menos por um momento.



















