É um pequeno exemplo do que pode acontecer nos próximos meses até as eleições
Texto de André César
A segunda-feira, 28 de março, foi um “típico dia atípico” na política brasileira. Às vésperas do encerramento do período da chamada “janela partidária”, movimentos importantes marcaram o início da semana.
Em primeiro lugar, a demissão do agora ex- ministro da Educação, Milton Ribeiro, não surpreendeu. Ao contrário, tratava-se de bola cantada, visto que sua situação à frente da pasta tornou-se insustentável. Suas relações com pastores que pediam propina em troca da liberação de recursos para prefeituras nada tinham de republicanas e ainda podem gerar problemas na campanha eleitoral.
O sucessor de Ribeiro ainda não foi definido, mas deverá ser um nome indicado pelo Centrão, possivelmente um técnico vinculado ao PL ou ao PP. O bloco, por sinal, ganha mais e mais espaço na Esplanada.
Outro evento de relevo na segunda-feira foi a demissão do general da reserva Joaquim Silva e Luna do comando da Petrobras. Foi a segunda demissão de um presidente da petroleira no governo de Jair Bolsonaro (PL), repetindo o procedimento – tal qual seu sucessor, o economista Roberto Castello Branco, Silva e Luna não resistiu às pressões do titular do Planalto para alterar a política de preços da empresa. O populismo venceu novamente.
Para o lugar do militar foi escalado o economista Adriano Pires, um dos maiores especialistas em energia do país. A questão que se coloca é – como serão as relações entre Bolsonaro e o novo presidente da Petrobras, dado que este último defende a manutenção da atual política de preços? Respostas, logo mais.
No terreno da oposição, o tucano Eduardo Leite deixou o governo gaúcho para se dedicar à sucessão presidencial. Derrotado pelo governador paulista João Dória nas prévias do partido, ele pretende lutar para virar o jogo e conseguir a indicação para disputar a presidência da República. Resumo da ópera – o PSDB nunca esteve tão dividido e com seu futuro tão ameaçado.
A cereja do bolo do início da semana foi a (nova) entrada de Bolsonaro em um hospital, em função de um desconforto sentido no começo da noite. A história se repete – em dia de crise política aguda, o presidente passa mal. Teríamos aqui um padrão de comportamento?
Nas redes sociais, os aliados do mandatário pedem orações para ele. Oremos, não “ouremos”.
Enfim, o que se viu é um pequeno exemplo do que ocorrerá ao longo dos próximos meses, durante a campanha eleitoral. Muito barulho, às vezes por nada – mas nem sempre.

