A invasão da Ucrânia pela Rússia reembaralhou as cartas e trouxe novas incertezas para o cenário
Texto de André César
Passado mais de um mês desde sua eclosão, a guerra na Ucrânia parece ter entrado em um momento de impasse. As tropas russas enfrentam dificuldades para tomar a capital, Kiev, e a resistência da população local, as sanções econômicas e o aparente despreparo dos soldados são obstáculos de força inegável. Vladimir Putin errou?
O planeta começava a sair da pandemia e a economia global ensaiava uma recuperação, ainda tímida, mas com sinais positivos para um futuro próximo. A invasão da Ucrânia pela Rússia reembaralhou as cartas e trouxe novas incertezas para o cenário. O jogo voltou à estaca zero.
No plano econômico, o impacto foi real e imediato. Petróleo e gás tiveram alta expressiva, com o barril do Brent atingindo valores elevados – no Brasil, a Petrobras foi obrigada a reajustar fortemente os preços dos combustíveis, gerando uma crise entre o comando da petroleira e o presidente Jair Bolsonaro (PL). Como resultado, a empresa (a maior do país, diga-se) está literalmente à deriva, com um presidente demissionário e, por ora, sem substituto. Mas essa é outra história.
Não somente o petróleo subiu. Os alimentos também sentiram os efeitos do conflito. O trigo, por exemplo, disparou – Ucrânia e Rússia são responsáveis por parcela expressiva da produção mundial. O pão nosso de cada dia, de certo modo, foi alvo dos tanques de Putin.
A crise humanitária é a face mais dramática da guerra. Milhões de ucranianos cruzando a fronteira oeste do país, fugindo dos horrores e deixando tudo para trás. Crianças e idosos em especial sentem as consequências. Qual o destino de todos?
É evidente que não há heróis e vilões nessa história – existem apenas vilões. O Ocidente erra, e pode ser cobrado pela História (com H maiúsculo) ao “eleger” o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky o “good guy” da temporada. Sua trajetória política é no mínimo controversa e diversos atos de seu governo precisam ser melhor analisados. Sua recente aparição na entrega do prêmio Grammy, por sinal, foi no mínimo desnecessária. O mundo não precisa de mais um pop star.
Quanto a Putin, seu destino e o de seu governo são absolutamente incertos. A falta de transparência no país e as informações desencontradas que saem de Moscou impedem uma análise mais acurada. Há sinais, ainda tênues, de que setores dos oligarcas começam a manifestar desconforto com seu líder – assim como também os jovens têm, em tese, avaliação mais crítica do presidente. Ao final, os efeitos concretos das sanções econômicas serão decisivos para o futuro do governante. A conferir.
Uma Nova Ordem Mundial está em gestação? A globalização será obrigada a recuar? Teremos um “choque de civilizações”, no conceito de Samuel Huntington? E a China, como sairá da crise? São muitas as perguntas à espera de respostas.
Existe hoje apenas uma certeza – o mundo, tal qual o conhecíamos, não será o mesmo. E ele já se tornou um lugar ainda mais difícil para se viver.
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