Banco Central, INSS e Receita Federal, entre outros, passaram a adotar “operações padrão”
Texto de André César
O embate entre o governo federal e diversas categorias do funcionalismo parece longe do fim. Pior, o quadro piora a cada dia e uma solução definitiva não se desenha no horizonte. Diálogo é o elemento hoje ausente do processo.
Apenas para relembrar, meses atrás o presidente Jair Bolsonaro (PL) decidiu conceder reajuste real dos vencimentos aos servidores ligados à segurança pública, em especial as forças policiais – Polícia Federal e Polícia Rodoviária Federal entre elas -, em detrimento dos demais. Posicionamento no mínimo polêmico e com claros objetivos eleitorais.
A reação foi imediata e categorias de peso partiram para o ataque. Banco Central, INSS e Receita Federal, entre outros, passaram a adotar “operações padrão” ou simplesmente paralisaram suas atividades, obrigando Planalto e equipe econômica a revisarem algumas decisões.
O que estava ruim conseguiu piorar ainda mais. Ao recuar e anunciar um reajuste geral linear de 5%, o presidente da República desagradou a gregos e baianos. De um lado, o setor de segurança pública sentiu-se traído e já ameaça revidar. De outro, as categorias agora incluídas consideram a proposta insuficiente e prometem continuar com protestos e ainda mais pressão.
Para apimentar o caldo, o impacto do eventual reajuste nas contas públicas será significativo – quase R$ 6 bilhões extras somente no orçamento de 2022. A título de comparação, esse montante é superior ao orçamento anual de órgãos como os ministérios das Relações Exteriores, do Meio Ambiente e de Ciência e Tecnologia.
Os servidores ora mobilizados pedem no mínimo recomposição da ordem de 20%, visando a reposição de perdas inflacionárias dos últimos anos. No caso, não há mesmo dinheiro em caixa para a adoção de tal medida. Em ano eleitoral, o assunto é explosivo (e extremamente impopular junto à opinião pública, diga-se).
Resumo da ópera: ao anunciar reajuste exclusivo para as forças de segurança pública, o presidente Bolsonaro tomou medida de caráter eleitoreiro, sem se preocupar com os impactos políticos e fiscais. O resultado está aí, em mais uma evidente demonstração do amadorismo dos titulares do poder. Perde o país, perde a sociedade.



















