Peso dos servidores na balança eleitoral no DF

Palácio do Buriti DF
Palácio do Buriti é a sede do governo do Distrito Federal/Agência Brasília
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A eleição de outubro passa pelo poder que exerce o funcionalismo no quadro político

Os servidores públicos do Distrito Federal têm peso nas eleições proporcionais e majoritárias. Há quem garante que os funcionários públicos podem definir um pleito eleitoral.

Para o Palácio do Buriti, agradar a cerca de 30 categorias de carreiras funcionais é essencial para a vitória do candidato.



De acordo com os números de março da justiça eleitoral, o DF possui 2.138.774 eleitores, dos quais 1.156.579 do sexo feminino (54%). Se for levado um cálculo simplificado, pelo menos 500 mil estão ligados direta ou diretamente (parentes diretos) com o funcionalismo.

De acordo com o último levantamento, há 133 mil servidores ativos e inativos. Em 2019, a Companhia de Planejamento do Distrito Federal (Codeplan) divulgou o Boletim de Empreendedorismo do Distrito Federal. Apontou que o número de funcionários assalariados do setor público ligados ao governo distrital, representa 21,4% da força ativa da economia.



O percentual de servidores e empreendedores é superado apenas pelos assalariados do setor privado com carteira assinada, que somam 42,2% do total de empregados no DF. A força de trabalho do serviço público não é negligenciado pelos pré-candidatos ao governo do Distrito Federal.

O governador Ibaneis Rocha (MDB), acredita que atendeu nesses três anos de administração boa parte das demandas das categorias profissionais. E diz que houve muitas nomeações de aprovados em concursos públicos, que podem resultar em votos nas eleições de outubro.

“Advoguei pelos servidores públicos por muitos anos e sei as necessidades dessa classe. Por isso, durante toda nossa gestão, temos apoiado os servidores. Temos buscado nomear profissionais e também abrir novos concursos, sempre tendo em mente que só se faz política de Estado com servidores efetivos. Muito ainda será feito nesse sentido”.



Ibaneis olha o futuro próximo no palanque eleitoral. “Continuaremos nomeando conforme nossas possibilidades os já aprovados em concursos públicos, e também abrindo novas seleções”, escreveu no seu microblog Twitter.

O outro pré-candidato ao Buriti, o senador Izalci Lucas (PSDB) também reconhece a força dos servidores nas urnas. Na semana passada, lançou mensagens para os policiais civis.

“Meu reconhecimento público à essa valorosa corporação, uma das qualificadas do país e que sempre apresentou elevados percentuais de resolutividade de crimes, líder no Brasil em vários anos”.



As três categorias mais representativas

Assim como a Polícia Militar, a Polícia Civil tem peso nesse jogo político. Atualmente são 10 mil policiais militares na ativa e 4,7 mil agentes civis.

As duas categorias sempre influenciaram nas eleições e talvez sejam as duas carreiras com mais pré-candidatos. Na PM, o ex-comandante Márcio Cavalcante Vasconcelos pediu exoneração em março para concorrer pelo MDB a deputado federal.

O coronel segue o caminho de outro militar da reserva remunerada, o ex-deputado Alberto Fraga (PL) que se aventurou pela política há algum tempo. Os dois vão disputar o mesmo eleitorado e talvez por isso a caserna esteja tão contaminada pela política partidária.



Na Polícia Civil, o cenário político também não é diferente. O presidente do Sindicato dos Policiais Civis (Sinpol), Alex Galvão, avisou que vai concorrer a deputado distrital pelo Podemos. O sindicato fez campanha aberta nas eleições de 2018 contra a reeleição do então governador Rodrigo Rollemberg (PSB), que agora vai buscar uma vaga na Câmara dos Deputados.

Tanto a Civil como a PM tem uma eterna campanha por aumentos salariais. A diferença é que o dinheiro dos salários dos agentes de segurança vem do Fundo Constitucional e não do Tesouro do Governo do Distrito Federal Neste momento, por exemplo, há um pedido de reajuste que em média é de 10%. O percentual foi prometido por Ibaneis Rocha que mandou uma ofício ao governo federal.

Se no serviço público Ibaneis Rocha pode levar vantagem, na área da saúde a situação não é tão boa, especialmente entre a população. Apesar de todas as críticas, o governador autorizou diversas contratações e seleções temporárias.



Se nas polícias há diversos candidatos e as categorias exigem cuidados especiais, o panorama não é diferente na área do Magistério. Educadores têm historicamente se aventurado na política e não será diferente em outubro.

A coordenadora do Sindicato dos Professores (Sinpro-DF), Rosilene Corrêa, lançou seu nome como pré-candidata ao governo distrital pelo Partido dos Trabalhadores (PT).

De acordo com a Secretaria da Educação, o DF tem 23,4 mil professores efetivos na rede pública de ensino. São mais 11,5 mil professores temporários e 1.074 orientadores. Na carreira de assistência à educação são mais 7,3 mil pessoas. E só de servidores aposentados na Educação são 27.872.



Saúde é outro tendão de Aquiles

Na lista de candidatos à Câmara dos Deputados e para a Câmara Legislativa, aparecem mais de 10 nomes que dizem ser professores ou ligados a esses trabalhadores.

Um deles é o ex-secretário da Educação do governo Ibaneis, Rafael Parente (PSB). Ele é pré-candidato ao governo, mas nos últimos dois dias tem falado sobre a saúde.



Neste domingo (24), afirmou que na UPA do Núcleo Bandeirante não tinha médico e não tem teste. “Isso, a propaganda enganosa do governo Ibaneis não mostra”. Parente foi secretário da Educação de Ibaneis.

No sábado (23) ele também já tinha feito críticas. “Mais um dia em que o DF amanhece com a taxa de ocupação de leitos de UTI (adulto, pediátrico e neonatal) acima de 90%. No momento, não há vagas para as crianças! O nível de irresponsabilidade com a saúde do povo já ultrapassou todos os limites do absurdo”.


O pré-candidato do PV, deputado distrital Leandro Grass, é outro crítico da atual administração. E garante que fará diferente. “Nossa intenção é chegar a um conjunto de metas com prazos e orçamentos definidos, com ações validadas perante a população e, o mais importante de tudo, cumprir rigorosamente o que foi pactuado. Diferente do atual governador, tenho palavra e honrarei os nossos compromissos”.

Em março passado, os sindicatos dos Empregados em Estabelecimentos de Serviços de Saúde do DF (SindSaúde) e dos Enfermeiros do DF (SindEnfermeiros) entregaram um ofício ao governo com um pedido de reajuste salarial. E o pagamento da diferença das quatro horas em abril, a convocação dos aprovados do concurso de 2018 até que seja zerado o cadastro reserva e a realização do concurso para a nova carreira de Gestão e Assistência Pública à Saúde.


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