Discurso pela privatização corre em meio ao aumento dos preços dos combustíveis. Bolsonaro culpa a Petrobras
O ministro da Economia, Paulo Guedes, afirmou nesta quinta-feira (12) que o Programa de Parcerias de Investimentos (PPI), vinculado à pasta, dará procedimento aos estudos para privatizar a Petrobras e a Pré-sal Petróleo S.A. (PPSA). A fala ocorreu após o novo ministro de Minas e Energia, Adolfo Sachsida formalizar a solicitação para início dos estudos de desestatização da PPSA.
“Espero que no tempo mais rápido possível tenhamos pronto esse decreto para o presidente Bolsonaro assinar”, afirmou. O ministro associou as privatizações a uma “libertação do povo brasileiro contra os monopólios”. Guedes disse que “vamos dar sequência para os estudos da PPSA, e depois para o caso da Petrobras”, registrou a CNN.
Ontem (11), o presidente Jair Bolsonaro (PL) criticou a margem de lucro da Petrobras e afirmou que a petroleira está “gordíssima, obesa”. A declaração foi dada a jornalistas, após discurso na 48ª edição da Expoingá, no Maringá, no Paraná.
Na última semana, a companhia divulgou lucro líquido de R$ 44,56 bilhões no primeiro trimestre do ano, em contraponto ao aumento do óleo diesel em quase 9%.
“Eu não quero falar de quem roubou a Petrobras, assaltou a Petrobras. Durante anos roubaram, foram condenados, eu não quero falar isso. Quero simplesmente receber como um programa de governo, que teve 60 milhões de votos, receber aqui o pedido do novo ministro de Minas e Energia e encaminhar o processo”, disse Guedes nesta manhã em contato com jornalistas.
Na quarta-feira (11), durante sua cerimônia de posso como ministro das Minas e Energia, Adolfo Sachsida, disse que enviaria a solicitação para Guedes como seu primeiro ato enquanto titular da pasta.
Paulo Guedes também incluiu entre suas prioridades dar prosseguimento ao processo de capitalização da Eletrobras. “É fundamental lançarmos o processo de capitalização, um sinal importante para atrair mais capital ao Brasil e mostrar ao mundo que o país é porto seguro do investimento”.
Sachsida atuava como chefe da assessoria especial de Assuntos Econômicos do Ministério da Economia. Também já foi Secretário de Política Econômica entre janeiro de 2019 e fevereiro de 2022 na pasta comandada por Paulo Guedes. Ele substituiu o almirante Bento Albuquerque.
Privatização não está na mesa
O presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), disse nesta quinta-feira (12) que a privatização da Petrobras “não está na mesa” neste momento. A venda da estatal é uma bandeira do novo ministro de Minas e Energia, Adolfo Sachsida.
Depois de se reunir com secretários estaduais de Fazenda, Pacheco afirmou que uma das prioridades de curto prazo é a Câmara dos Deputados aprovar o PL (projeto de lei) 1.472/2021, que cria uma conta abastecida com dividendos da Petrobras à União para amortecer variações nos preços de combustíveis.
Ele também defendeu a aprovação da PEC (proposta de Emenda à Constituição) 110/2019, da reforma tributária, hoje travada na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça). Declarou que o presidente do colegiado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), deve pautar a PEC para votação já na próxima semana. A conversa com os secretários partiu das críticas do presidente do Senado à decisão dos Estados e do Distrito Federal de fixar a alíquota do ICMS sobre o óleo diesel em R$ 1,0060 por litro, o nível mais alto permitido pela lei, registrou o Poder360.


