Preso espião russo que se passou por brasileiro

Rússia espião descoberto
O espião russo se apresentava como Viktor Muller Ferreira/Reprodução/BBC News
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Ele foi deportado para o Brasil depois de tentar se infiltrar no Tribunal Penal Internacional, em Haia

Um espião russo que fingia ser brasileiro tentou se infiltrar no Tribunal Penal Internacional (TPI), em Haia, segundo o Serviço de Inteligência holandês. O episódio ocorreu em abril, mas só foi divulgado agora, segundo publicou a BBC News.



O homem se apresentava como Viktor Muller Ferreira e havia se candidatado a um posto de estágio não remunerado na instituição, responsável por investigar, entre outras acusações, possíveis crimes de guerra cometidos na Guerra da Ucrânia. Ele foi deportado de volta ao Brasil e, segundo Polícia Federal, está sob custódia e será processado por uso de documentos falsos.

As autoridades holandesas dizem que seu nome verdadeiro é Sergey Vladimirovich Cherkasov e ele é um espião do GRU — a inteligência militar russa. O homem teria passado anos construindo uma identidade falsa, antes de se candidatar à vaga no TPI em Haia.

O Serviço de Segurança e Inteligência Geral da Holanda (AIVD, na sigla em inglês) informou que se ele tivesse conseguido assumir o cargo e se infiltrar na organização, poderia ter causado danos reais, de acordo com o registro da reportagem.



O AIVD publicou um documento que se acredita ter sido escrito por Cherkasov por volta de 2010, no qual ele descreve sua identidade falsa, provavelmente para ajudá-lo a memorizar seu próprio disfarce.

Segundo o documento, quando ainda estava no Brasil, diz se lembrar da ponte Presidente Costa e Silva, conhecida como Rio-Niterói, e, por isso, teria aversão ao cheiro de peixe.

Depois da morte da tia, ele teria procurado o pai no Rio de Janeiro e, embora tenham se encontrado, frustrou-se com a conversa que tiveram.



Dali, diz ter ido para Brasília, onde “em paralelo com a restauração da cidadania” teve aulas particulares de português. Sobre a capital, ele lista lugares que gostava de frequentar, como o restaurante A Tribo — que existe de fato. “Esse restaurante faz a melhor feijoada da cidade.”

“Meu pai se mostrou uma pessoa muito amigável e aberta, mas para minha surpresa descobri que eu o culpava pelas mortes de minha mãe e minha tia e todas as dificuldades e humilhações que tive que sofrer na vida”, diz um trecho do documento.


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