Publicação tradicional da economia mundial diz que a crise energética quebro o equilíbrio
A época em que na Europa se dizia que a “Alemanha é que sabe” está chegando ao fim. A crise energética quebrou o equilíbrio de décadas em que Berlim tinha na União Europeia um prestígio moral inquestionável. Agora, é o Sul da Europa que se torna cada vez mais assertivo, diz a edição Bloomberg.
Segundo a colunista Maria Tadeo, a crise ucraniana acabou por expor a forte dependência alemã da Rússia, o que demonstrou ao bloco as falhas de seu modelo econômico.
“A dependência alemã da Rússia expôs as falhas de seu modelo econômico – uma indústria de alta intensidade operando com gás barato, junto com a cegueira de sua classe política em relação à sua dependência do Kremlin. Enquanto Berlim ainda está tentando superar o choque, o Sul da Europa está se tornando cada vez mais assertivo. Não se trata de vingança pelos anos da política de austeridade, liderada pela Alemanha, mas uma recalibragem de forças, processo que pode, em última análise, resultar em uma UE mais saudável”, salienta a publicação.

Teresa Ribera, ministra espanhola para a Transição Energética, reagiu duramente às declarações da Comissão Europeia exigindo que todos os 27 países-membros do bloco limitassem o seu consumo de energia em 15% nos próximos meses. Conforme a Bloomberg, ao criticar a Alemanha, a ministra sublinhou que a Espanha investiu muito nas energias renováveis, mantendo laços mínimos com a Rússia e “vivendo de acordo com as suas possibilidades”.
Esta menção referia-se à repreensão por parte da Alemanha, expressa durante a crise da dívida pública europeia em relação aos países do Sul da Europa, de que eles “viviam acima das possibilidades”.



