Um dos poucos casos em que o dinheiro chegou, é de Jaqueline Silva, do Agir, que concorre à Câmara Legislativa
Passadas quatro semanas desde o início da campanha eleitoral, a DW compilou dados de oito partidos – Agir, MDB, PL, PSD, PSDB, Psol, PT e União Brasil – e constatou que três deles ainda não repassaram a cota mínima de 30% de recursos do fundão eleitoral a mulheres: PT, o segundo maior beneficiário de verbas públicas de campanha, o PSD e o PL, do presidente Jair Bolsonaro.
O levantamento é baseado em dados parciais do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) compilados pelo projeto 72 Horase consultados na manhã da última segunda-feira (12) – véspera da data limite fixada pela corte para o cumprimento da cota. Veja os quadros logo abaixo.
Segundo os dados parciais, o PT, por exemplo, havia destinado 25,2% do fundão eleitoral às candidaturas femininas, valor aquém da cota mínima de 30% – e isso embora elas correspondam a quase 37% das candidaturas do partido.
A distribuição de verba pública entre os partidos também é, em larga medida, injusta em relação às mulheres, que têm em média menos recursos à disposição. À exceção do Psol, a distorção afeta todos os partidos analisados para esta reportagem, sendo mais grave no PSD, onde homens têm aproximadamente o dobro do dinheiro disponível para as suas campanhas em relação às colegas mulheres – em média R$ 208 mil a mais.
A conta desconsidera os valores destinados às campanhas presidenciais de Bolsonaro, do PL, e Luiz Inácio Lula da Silva, do PT, que elevam a verba média dos homens. Com esses valores, as mulheres nessas duas siglas estão em situação de desvantagem similar à enfrentada por candidaturas femininas no PSD.
Das 950 candidaturas lançadas pelo Agir, apenas 208 receberam algum repasse a essa altura da campanha, sendo que do total de R$ 10,1 milhões em verba pública distribuída pelo partido, R$ 5,67 milhões (56%) estão concentrados em 11 candidaturas, e só duas são de mulheres – a campeã, com R$ 1,2 milhão, é Jaqueline Silva, deputada distrital que tenta a reeleição e que concentrava 40% do total distribuído pelo Agir a mulheres.





















