Como resta pouco tempo de campanha, as opções de candidatos e aliados são restritas no segundo turno
Por André César – SP
Faltando cinco dias para o segundo turno, a disputa pelo Planalto mostra o ex-presidente Lula (PT) com leve favoritismo. O atual mandatário, Jair Bolsonaro (PL), segue logo atrás e tem pouco tempo para virar o jogo. A rigor, o quadro é de estabilidade.
Na segunda-feira (24), foram divulgados os resultados de duas pesquisas de intenção de voto. Em linhas gerais, ambas apresentaram a mesma situação. Tanto a Atlas quanto o Ipec (ex-Ibope) apontam o petista na liderança – 53% a 47% na primeira, 54% a 46% na segunda, em votos válidos. Má notícia para o atual presidente.
Um olhar mais atento para a pesquisa Ipec revela dados interessantes. Lula da Silva segue forte em terreno que já dominava (56% entre católicos, 67% na região Nordeste, 63% entre quem recebe até um salário mínimo). O mesmo se dá com Bolsonaro (60% entre evangélicos, 53% na região Sul, 59% entre os que recebem acima de cinco salários mínimos). Ou seja, quadro cristalizado.
Outra informação interessante aparece na pesquisa da Atlas. Segundo o levantamento, nada menos que 70% dos eleitores da senadora Simone Tebet (MDB) no primeiro turno migraram para o petista agora. Sua participação ativa nessa etapa da campanha parece surtir efeito. Já Ciro Gomes (PDT) carrega para o petista 51% de seus eleitores.
Importante ressaltar que as duas pesquisas não captaram na totalidade os eventos do último domingo, quando o ex-deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ), aliado de Bolsonaro, recebeu a tiros um grupo de Policiais Federais que cumpria mandado de prisão em sua casa. O caso, grave, pode respingar no titular do Planalto e, no limite, ser um fator decisivo na reta final do pleito. Uma espécie de “facada invertida”, como já se comenta no mundo político.
Outras pesquisas são esperadas ao longo dos próximos dias – DataFolha, Quaest e Ipespe entre elas. Resta saber se confirmarão a tendência apresentada pelos levantamentos iniciais da semana. A expectativa é grande.
Como resta pouco tempo de campanha, as opções de candidatos e aliados são restritas. O foco dos dois postulantes deverá ser mesmo a região Sudeste, em especial os estados de Minas Gerais e São Paulo, maiores colégios eleitorais do país. O jogo será decidido nesse campo.
















