Representa a liberdade de escolha de consumidores, além da melhoria significativa da qualidade do ar
Por Charles Machado – SC
O Brasil comemora 20 anos do carro flex, claro que sem esquecer que já temos carros rodando apenas a etanol desde o início da década de 80, lembro que nesse momento, 97,7% dos carros produzidos no Brasil podem ser abastecidos com álcool ou gasolina, puros ou misturados em qualquer proporção. Logo a nossa experiência com esse combustível renovável já possui mais de 40 anos.
É fato que o carro flex, representa também, a liberdade de escolha de consumidores, para a mobilidade sustentável no País, para geração de milhares de empregos de uma cadeia de produção 100% verticalizada no Brasil além da melhoria significativa da qualidade do ar nas cidades brasileiras, seja pelo rodar com etanol ou nos movidos a gasolina com a adição do álcool.
Devemos nesse caso, também considerar que quando do seu embate com o carro “elétrico movido a energia sustentável”, a vitória pela sustentabilidade sempre será do etanol, pois todo carro elétrico dependerá da formação da matriz energética daquele país.
Dentro desse processo de eletrificação, o etanol pode ser convertido em célula de combustível, nesse caso o hidrogênio pois esse tipo de motorização seria abastecido com o etanol, usando um reformador para converter o biocombustível em hidrogênio, que, por sua vez, alimenta a energia que movimenta o veículo.
As mudanças climáticas, aliadas ao elevado valor do petróleo e a dependência que temos dele ainda como combustíveis para carros, embarcações e aeronaves vem funcionando como catalisadores na transformação energética, fazendo com que as ruas sejam a cada dia mais ocupadas com veículos híbridos ou 100% elétricos, essa aceleração ocorre de maneira distinta entre os diversos países, pois sempre que uma nova tecnologia precisa de escala é fundamental uma política jurídica de incentivos.
Seu uso sustentável e a possibilidade de escala mundial ainda maior, já exigiriam com que o nosso governo se preocupasse mais com a geração de cluster energéticos sustentáveis, ao invés de mover sua base pra discutir a importância ou não de incluirmos uma impressora junto as urnas digitais, em uma total perda de tempo, esforço e oportunidades.
Bem, tratando do conceito de sustentabilidade, relembramos que a conta é por equivalência: considera o quanto de CO2 é absorvido pelo cultivo de cana e inclui no cálculo o gás carbônico que é gerado em outras etapas do processo, do plantio às bombas de combustíveis. O transporte a partir dos canaviais e a distribuição do álcool nas cidades é um ponto negativo por utilizar caminhões movidos a diesel, algo que pode no curto espaço ser substituído por caminhões elétricos, alimentados pelas usinas que produzem energia do bagaço e da palha da cana.
O etanol em comparação à gasolina, proporciona uma redução de 90% nas emissões dos gases causadores do efeito estufa. Em relação ao diesel S10, com baixo índice de particulados, a diminuição é de 50%.
Um projeto que pode conciliar combustíveis
A estratégia para convencer países que hoje criam legislações que favorecem a eletrificação dos carros também passa pelos dados de emissões de CO2 e de poluentes, e logo é fundamental que esses conjuntos normativos incluam também os veículos movidos a etanol.
A Nissan, recentemente, renovou um convênio com o Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (IPEN) ligado à USP, com a ideia de extrair do etanol o hidrogênio necessário para a célula a combustível dos seus carros.
Isso seria fantástico para o Brasil, pois a ideia do projeto é que o carro pare no posto, se abastece de etanol e dele se extrai o hidrogênio que vai alimentar a Fuel Cell que gera a energia elétrica para movimentar o carro.
Assim, o Brasil terá seu automóvel elétrico sem limite de autonomia, pois é “recarregado” pelo etanol que se encontra em qualquer posto do país.
A Nissan é a única fábrica no Brasil que desenvolve um carro elétrico movido por célula a combustível. Porém, sem os problemas de produção e armazenamento do hidrogênio, combustível usado em todos os outros automóveis que usam esta tecnologia (Fuel Cell).
Dessa maneira o Brasil se torna um país um exportador de tecnologias para carros híbridos flex, que rodam com álcool, gasolina e eletricidade, e nesse caso a grande sacada do projeto é criar carros elétricos que dispensam a necessidade de recarga externa para as baterias. Em vez disso, o dono apenas abastece o tanque com etanol como em qualquer veículo existente hoje.
Lembro que em muitos países o etanol, está de forma significativa na cadeia alimentar, por isso todo cuidado é pouco no regramento dos incentivos para essas novas tecnologias. Ao mesmo tempo é fundamental que o etanol seja produzido em um maior número de países possíveis, pois logística em combustível é tudo, e ao mesmo tempo é fundamental que os combustíveis vegetais sejam produzidos em abundância sem nenhum ou pouco impacto na cadeia alimentar, evitando que o consumo dos mesmos contribua para alta dos alimentos.
Para muitos o carro elétrico a bateria recarregável foi a solução ambiental encontrada por países ricos, que não poderá ser adotada pelos países pobres, pelo alto custo, não só das baterias, mas da infraestrutura necessária para colocar os veículos elétricos em circulação.
É evidente que carros elétricos são poluentes dependendo da matriz energética do país onde os mesmos circulam, como é o caso da China onde prepondera a energia com base no carvão mineral.
Assim o etanol poderá tornar-se estratégico, na medida em que sua composição contém o hidrogênio necessário para produzir a energia elétrica que acionará o motor. A vantagem adicional é a de que dispensará grandes mudanças na malha viária de recarga que, na verdade, exigiria despesas ainda mais altas com o modelo a energia elétrica produzida fora do veículo (overboarding). Mais uma vez estamos diante de um desafio regulatório e de vontade política.

