Recentes manifestações indicam que o presidente Lula é a favor da Rússia. EUA e Europa criticam
Por Misto Brasília – DF
As recentes declarações do presidente Lula da Silva (PT) indicam que o Brasil já escolheu o lado na guerra entre a Rússia e a Ucrânia. Importante lembrar que há mais de um ano a Rússia invadiu a Ucrânia e atacou inclusive alvo civis. Atualizado às 21h44
As manifestações de Lula da Silva, que hoje (17) à noite recebeu o ministro de Relações Exteriores russo, Serguei Lavrov, recebeu uma resposta da Europa e dos Estados Unidos.
Após o encontro, o chanceler brasileiro, Mauro Vieira falou a jornalistas na entrada da residência oficial e comentou sobre a disposição do governo brasileiro em ajudar a dialogar sobre o fim da guerra na Ucrânia, segundo a Agência Brasil.
“A conversa, tanto comigo como com o presidente, não entramos em questão de guerra. Entramos em questões de paz. O Brasil quer promover a paz, está pronto para arregimentar ou se unir a um grupo de países que estejam dispostos a conversar sobre a paz. Essa foi a conversa que nós tivemos”, afirmou.
O ministro evitou comentar críticas de países ocidentais, especialmente dos Estados Unidos, sobre a posição brasileira em relação ao conflito. “O Brasil e a Rússia completam, este ano, 195 anos de relação diplomática, com embaixadores residentes”, destacou.
O que dizem os europeus e os norte-americanos
A Comissão Europeia e a Casa Branca rejeitaram nesta segunda-feira as críticas feitas pelo presidente brasileiro ao papel da União Europeia (UE) e dos Estados Unidos na guerra na Ucrânia.
Neste domingo, em visita aos Emirados Árabes, Lula acusou os EUA e a Europa de prolongarem o conflito em solo ucraniano, registrou a Agência DW.
“A paz está muito difícil. O presidente [da Rússia Vladimir] Putin não toma iniciativa de paz, o [presidente da Ucrânia, Volodimir] Zelenski não toma iniciativa de paz. A Europa e os Estados Unidos terminam dando a contribuição para a continuidade desta guerra”, afirmou o petista.
O porta-voz da Comissão Europeia para Negócios Estrangeiros e Políticas de Segurança, Peter Stano, rebateu as acusações e defendeu a postura adotada pelos aliados ocidentais.
“Não é verdade que os EUA e a UE estejam ajudando a prolongar o conflito. A verdade é que a Ucrânia é vítima de uma agressão ilegal, uma violação da Carta das Nações Unidas”, afirmou o representante de Bruxelas.
“É verdade que a UE, os EUA e outros parceiros ajudam a Ucrânia em sua legítima defesa”, disse Stanos, ressaltando que a outra opção seria a “destruição” do país.
No último sábado, ao final de sua visita à China, Lula afirmou que os Estados Unidos deveriam parar de “incentivar a guerra” na Ucrânia e que a UE, por sua vez, deveria “começar a falar de paz”.
Os EUA também rebateram de maneira incisiva as críticas do chefe de Estado brasileiro. O porta-voz de Segurança Nacional da Casa Branca, John Kirby, acusou Lula de “papaguear” propaganda russa e chinesa sobre a guerra e disse que o petista estaria “simplesmente mal orientado”.
“É profundamente problemático como o Brasil abordou essa questão de forma substancial e retórica, sugerindo que os Estados Unidos e a Europa de alguma forma não estão interessados na paz ou que compartilhamos a responsabilidade pela guerra”, disse Kirby.
